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Mercado01 de nov. de 2026, 22:02

Intel fatura US$ 16,5 bi no 3º tri e aposta em Nova Lake contra a AMD

A Intel registrou receita de US$ 16,5 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 21% na comparação anual, enquanto o CEO Lip-Bu Tan afirma que a Nova Lake vai tapar um buraco histórico no segmento de desktops de alta performance.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 16,5 bilhões. Foi esse o faturamento da Intel, uma das maiores fabricantes de processadores do mundo, no terceiro trimestre de 2026 — um salto de 21% em relação ao mesmo período do ano passado e acima da própria projeção da empresa. O lucro líquido, porém, caiu 18% na comparação anual, para US$ 3,3 bilhões — sinal de que a recuperação ainda custa caro. O lucro por ação não-GAAP foi de US$ 0,52, superando o guidance de US$ 0,38, e a margem bruta não-GAAP ficou em 44,1%. A geração de caixa operacional somou US$ 5,1 bilhões, com US$ 54 bilhões em caixa e investimentos.

Onde está o dinheiro (e onde não está)

O motor do trimestre foi a divisão de data center e inteligência artificial (DCAI), que cresceu 78% na comparação anual, para US$ 7,3 bilhões — o ritmo mais rápido em 15 anos, segundo a própria Intel. Já a unidade de computação para clientes (CCPG), que inclui os processadores de uso doméstico e corporativo, recuou 5%, para US$ 8,1 bilhões. A Intel Foundry, braço de fabricação sob encomenda para terceiros, cresceu 58%, para US$ 6,7 bilhões. Para o quarto trimestre, a empresa projeta receita entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões.

Foto: reprodução/fool.com

A lacuna que a Nova Lake promete fechar

Na teleconferência com analistas, o CEO Lip-Bu Tan foi direto sobre o principal gargalo do portfólio: "Nova Lake, nosso primeiro produto cliente em Intel 18A-P, está adiantada em relação ao cronograma, com expectativa de conquistar o dobro dos design wins da Panther Lake no lançamento." A Nova Lake é a próxima geração de processadores da Intel voltada a notebooks e desktops de alto desempenho, sucessora da atual linha Panther Lake. Tan admitiu que a empresa tinha "um buraco no portfólio para desktop de ponta, e a Nova Lake preencheu essa lacuna". Os detalhes oficiais devem ser apresentados na CES 2027, em janeiro.

Quem ganha e quem perde

O recado para a concorrência também veio direto. Sobre a futura geração Coral Rapids, prevista para 2028 com o processo 14A, Tan disse: "Em relação à Coral Rapids, seremos competitivos com a AMD. E o próximo produto, no ritmo tick-tock, estaremos na frente da AMD." É uma admissão rara: a AMD, rival direta da Intel na fabricação de processadores, tem dominado cada vez mais o mercado de CPUs de alta performance nos últimos anos, e a Intel só agora sinaliza um caminho de reação, com a Diamond Rapids chegando em 2027 em litografia 18A-P. Tan também comparou CPUs e GPUs — da Nvidia, maior fabricante mundial de chips gráficos — defendendo a eficiência energética dos processadores tradicionais em tarefas determinísticas frente ao consumo elevado das GPUs em cargas de raciocínio de IA. No tabuleiro de curto prazo, quem ganha é a divisão de data center, puxada pela demanda por IA; quem ainda perde terreno é o segmento de cliente, onde a resposta à AMD só deve aparecer de fato com a chegada da Nova Lake ao mercado.


Atualização (30/10, 21:46): Atualização: No dia seguinte à divulgação do balanço do 3º trimestre, as ações da Intel desabaram entre 28% e 30% nesta sexta-feira (30), o pior pregão da empresa desde os anos 1970, arrastando o Nasdaq. O gatilho foi a previsão fraca para o 4º trimestre: a Intel projetou lucro ajustado por ação de 25 centavos (ante consenso de 43 centavos) e receita entre US$ 15 bi e US$ 16 bi (ante expectativa de US$ 17,05 bi), com margem bruta caindo de 43% para 37%. A empresa citou desaceleração no mercado de PCs ligada à alta no preço e na disponibilidade de memória RAM — consumida em grande escala pela indústria de IA — e uma parada numa fábrica da Intel em Israel.

A queda reduziu em cerca de US$ 12,2 bilhões o valor da participação de 9,9% que o governo dos Estados Unidos mantém na Intel desde o ano passado, de US$ 39,9 bilhões para US$ 27,7 bilhões em um único dia. Mesmo assim, a posição do governo segue no lucro: a ação da Intel ainda acumula alta de mais de 70% no ano.

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