
iPhone Duo afasta compradores após relatos de telas rachadas na dobradiça
Pesquisa da Android Authority mostra que relatos de telas internas rachando no primeiro dobrável da Apple já afetam a decisão de compra, com reparo custando cerca de US$ 1.000.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
A dobradiça que vira dor de cabeça
Comprar o primeiro celular dobrável da Apple parecia um ato de fé em design de ponta — mas os primeiros relatos de uso estão testando essa fé. Desde que o iPhone Duo começou a chegar às lojas, usuários relatam rachaduras na tela interna, concentradas perto da dobradiça, algumas com um brilho branco característico de dano estrutural. Um caso chamou atenção por aparecer apenas 6 horas após a compra. A Apple reconheceu publicamente que as falhas atingem "um pequeno número de unidades" e já oferece substituições gratuitas para quem foi afetado.
O que a pesquisa da Android Authority mostra
É aqui que a especificação encontra a experiência real. O site especializado em Android Android Authority — referência internacional em cobertura do sistema concorrente do iOS — fez uma pesquisa com leitores para medir o impacto dos relatos na decisão de compra, e os números não são favoráveis à Apple: 40% dos participantes disseram que os defeitos prejudicaram sua vontade de comprar o aparelho, e 30% afirmaram que simplesmente não comprariam o iPhone Duo desde o início. Do lado mais paciente, 13% acreditam que a Apple vai resolver o problema na próxima geração e 8% esperam uma correção antes disso. Mais revelador: 11% dizem que nunca comprariam qualquer dobrável, de qualquer marca — um sinal de que a desconfiança passou do produto para a categoria.
Reparo caro reforça o calote na confiança
Rachar a tela de um smartphone sempre doeu no bolso, mas no caso do dobrável da Apple a conta é mais alta: a troca de tela nos EUA custa cerca de US$ 1.000 (em torno de R$ 5.120 na cotação atual). A cobertura de um ano do aparelho cobre falhas na dobradiça decorrentes do uso normal, o que ajuda, mas não resolve o desconforto de comprar um celular de ponta e torcer para não ser um dos "poucos" casos.
Vale o preço no Brasil?
Comparado à geração anterior de smartphones da Apple — sem dobradiça, sem tela interna exposta a esse tipo de estresse mecânico — o Duo pede um salto de confiança que a marca ainda não sustentou com dados de durabilidade abertos. A pesquisa da Android Authority não é um recall nem uma crise generalizada, mas é um termômetro: quase um terço dos ouvidos já bateu o martelo contra a compra, e outro naipe perdeu a fé até no formato dobrável como categoria. Para o consumidor brasileiro, que paga mais caro por eletrônicos importados e enfrenta assistência técnica mais escassa para produtos de nicho, a pergunta inevitável é se vale pagar o prêmio de um dobrável de primeira geração com esse histórico recente de telas rachadas — ou esperar a Apple provar, na prática, que resolveu a dobradiça antes de abrir a carteira.