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Mercado06 de nov. de 2026, 07:45

iPhone Duo perde valor rápido e cambistas somam prejuízo de R$ 152 mil

Uma semana após o lançamento do primeiro dobrável da Apple, os preços de revenda na China despencaram e deixaram cambistas com perdas individuais de até R$ 152 mil.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: R$ 152 mil de prejuízo em uma semana

Uma semana. Foi esse o tempo que o mercado de revenda do iPhone Duo — primeiro celular dobrável da Apple, lançado no final de outubro de 2026 — levou para virar de ponta-cabeça. Segundo apuração com base em relatos de comerciantes chineses, cambistas que compraram o aparelho em lote para repassar com ágio agora estão amargando perdas individuais que ultrapassam 100 mil yuans (cerca de R$ 76 mil) e podem superar 200 mil yuans, o equivalente a mais de R$ 152 mil.

Como funciona (e quebra) o jogo do cambismo

O roteiro é conhecido: lançamentos badalados da Apple sempre atraem revendedores que compram várias unidades nas primeiras horas de venda, apostando que a escassez inicial vai permitir repassar o produto bem mais caro que o preço de tabela. Foi o que aconteceu em polos de revenda como o Yigao Digital City, em Hangzhou, e o mercado eletrônico de Huaqiangbei, em Shenzhen — tradicionais termômetros do mercado paralelo chinês de eletrônicos.

Nos primeiros dias, o ágio chegou a bater 3.000 yuans (cerca de US$ 448) acima do preço oficial em lojas de Pequim. Mas a aposta não se sustentou. Em Shenzhen, um modelo preto de 1 TB, vendido a mais de 25.000 yuans no fim de semana de lançamento, teve o ágio cortado em 2.800 yuans, caindo para 24.300 yuans. No mercado em geral, anúncios recentes mostram preços entre 1.000 e 2.000 yuans mais baratos que os da semana de estreia, com alguns modelos de entrada sendo oferecidos com ágio de apenas 300 yuans.

Por que a demanda sumiu tão rápido

A queda tem explicação: usuários relataram telas rachadas após poucas horas de uso, falhas na dobradiça e um software que ainda não está redondo. A própria Apple reconheceu publicamente um problema na tela interna que afeta uma pequena parcela das unidades. Some isso a um preço de lançamento já salgado — o que limitava o universo de compradores dispostos a pagar ágio — e o resultado é a combinação perfeita para o colapso do mercado paralelo.

Quem ganha e quem perde

Nessa equação, o consumidor final sai na frente: quem esperou a poeira baixar agora encontra o iPhone Duo por preços bem mais próximos do oficial, sem precisar enfrentar fila ou pagar pedágio a cambista. Já os revendedores que apostaram alto ficam com estoque encalhado e prejuízo contábil real — uma lembrança de que o cambismo de lançamentos de tecnologia é aposta de alto risco, especialmente quando o produto chega ao mercado com problemas de qualidade ainda não resolvidos.

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