
iPhone Duo: YouTuber desmonta o celular e acha a causa do crackgate
Desmontagem mostra uma peça fina da dobradiça que se rompe num ponto frágil e fura a tela por dentro. Apple ainda não deu resposta oficial, e os relatos só aumentam.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O desmonte que acendeu o alerta
Se você acompanha as redes e o subreddit do iPhone Duo — o celular dobrável da Apple lançado nesta semana, que abre como um livrinho e promete tela grande sem perder o bolso — já deve ter visto os prints de tela trincada bem na linha da dobradiça. O apelido já pegou: crackgate. E não é exagero de internet, não: os relatos vêm de usuários nos Estados Unidos, na China e na Austrália, todos descrevendo a mesma coisa.
Um youtuber que reproduziu a falha em testes de durabilidade foi além do "quebrou" e desmontou a unidade pra entender o motivo. A dobradiça do Duo não é uma peça só: é um conjunto com uma engrenagem central e dois tipos diferentes de elos de ligação. E foi exatamente num desses elos — um componente fino que conecta as duas partes do mecanismo — que ele encontrou o rompimento, bem num pequeno entalhe que é o ponto mais fraco da peça. Marcas na placa de apoio sugerem que a dobradiça pode estar travando antes mesmo do estalo audível que os usuários descrevem — ou seja, o problema mecânico vem primeiro, a tela só paga o pato.
Foto: reprodução/tomsguide.com
Não é dano isolado
O que preocupa é que o padrão se repete: um usuário na Austrália relatou ter aberto o aparelho menos de 20 vezes em cerca de seis horas de uso antes de ouvir o estalo e ver a tela interna rachar, de cima a baixo, sempre no mesmo lugar. Isso aponta pra uma fragilidade de projeto, não pra mau uso.
E a Apple? Até agora, nenhuma nota oficial confirmando (ou negando) que se trata de um defeito de série. O que existe, segundo reportagens, é a empresa oferecendo troca expressa em loja — mas cobrando uma pré-autorização no cartão pelo valor cheio do aparelho e sem dar prazo de chegada da peça nova. Nada muito reconfortante pra quem acabou de desembolsar um valor salgado num lançamento.
Vale o preço no Brasil?
O iPhone Duo nem chegou oficialmente por aqui com preço confirmado, mas, pelo histórico de dobráveis da Apple, estamos falando de importação cara ou de um valor de tabela na casa dos R$ 15 mil pra cima quando (se) vier. Pagar esse tanto por um aparelho que pode trincar a tela em menos de 20 aberturas é um risco que eu não assumiria sem pelo menos esperar a Apple confirmar o diagnóstico — e, idealmente, anunciar um conserto de fábrica. Dobradiça é a peça mais estressada mecanicamente em qualquer dobrável, e aqui parece que a engenharia ainda não calibrou essa conta.
Atualização (26/10, 00:45): Atualização (26/10/2026): A iFixit, empresa especializada em desmontagens e testes de reparabilidade, fez sua própria análise oficial do iPhone Duo e deu ao aparelho nota provisória 5/10 de reparabilidade — a maior já concedida pela empresa a um smartphone dobrável, ainda que a tela interna e a dobradiça continuem sendo os pontos mais frágeis, com reparo fora da garantia cobrado em US$ 999 pela Apple. A desmontagem identificou um possível "ponto de concentração de tensão" perto do suporte central da dobradiça, na transição onde o cabo flexível cruza o aparelho — explicação mais técnica que reforça a hipótese já levantada pelo YouTuber sobre a causa das quebras de tela. A iFixit também revelou como a Apple disfarça o vinco da tela dobrável: uma cobertura removível com nanotextura que espalha reflexos de luz, combinada a subpixels ovais em ângulos diferentes pra reduzir artefatos visuais na região da dobra.
Atualização (26/10, 12:50): ## Garantia cobre dobradiça, mas reparo fora do prazo pode custar até US$ 1.500
Uma nova apuração sobre os relatos de telas rachadas no iPhone Duo traz um detalhe ainda não abordado: a garantia padrão de um ano da Apple cobre falhas na dobradiça decorrentes de uso normal, mas reparos realizados fora do período de garantia podem custar até US$ 1.500 ao consumidor.
A reportagem também reforça, a partir de análise da iFixit, que pequenas partículas de areia ou poeira podem se infiltrar no mecanismo da dobradiça e agravar os danos — um alerta prático que soma-se à causa estrutural já identificada na desmontagem anterior. A Apple ainda não confirmou oficialmente a quantidade de unidades afetadas nem anunciou programa de troca ou recall.
Atualização (26/10, 15:59): Atualização (26/10/2026): A Apple se manifestou oficialmente sobre o "crackgate" do iPhone Duo. Em comunicado enviado à Bloomberg e ao 9to5Mac, a empresa confirmou que está ciente do problema identificado pelos usuários e pelo YouTuber mencionado nesta matéria: "We are aware of an issue impacting the inner display on a small number of iPhone Duo units" ("Estamos cientes de um problema que afeta a tela interna em um pequeno número de unidades do iPhone Duo").
Segundo a Apple, aparelhos afetados podem ser levados para troca gratuita através da AppleCare, sem necessidade de o cliente possuir o plano AppleCare+. Quem comprou o iPhone Duo por meio de operadoras deve contatar diretamente a AppleCare, e não a operadora, para solicitar a substituição. A empresa não detalhou publicamente a causa técnica do defeito, mas reforçou que o problema atinge apenas uma pequena parcela das unidades vendidas, mantendo a análise do YouTuber — que apontou falhas no mecanismo da dobradiça como possível origem das rachaduras — como a explicação mais detalhada disponível até o momento.
Atualização (26/10, 21:59): A Apple se manifestou nesta segunda-feira (26/10/2026) sobre as rachaduras na tela interna do iPhone Duo, assunto já coberto nesta matéria após um youtuber desmontar o aparelho em busca da causa do "crackgate". Em comunicado, a empresa afirmou estar "ciente de um problema afetando a tela interna de um pequeno número de unidades do iPhone Duo", sem detalhar números ou percentuais sobre a extensão do defeito.
Como solução, a Apple prometeu substituir os aparelhos afetados. A orientação é que os usuários que notarem falhas na tela interna entrem em contato diretamente com a AppleCare para solicitar a troca do dispositivo — não é necessário ter o plano AppleCare+ para ter direito à substituição, já que o caso é tratado como defeito de fabricação, e não como dano acidental ou reparo pago.
Atualização (26/10, 21:59): A matéria sobre o "crackgate" do iPhone Duo ganhou um novo capítulo: reportagem internacional confirma que um pequeno número de early adopters do dobrável da Apple relatou publicamente insatisfação após a tela interna do aparelho rachar com poucos dias — e em alguns casos, poucas horas — de uso. Os relatos descrevem um estalo alto ao abrir o aparelho, seguido do aparecimento de uma rachadura ao longo da dobra central da tela, além de casos de manchas brancas e linhas de pixels.
As queixas se multiplicaram em redes sociais e fóruns pouco depois do iPhone Duo chegar aos primeiros clientes. Em um dos relatos, um comprador australiano afirmou ter aberto o aparelho menos de 20 vezes em cerca de seis horas de uso antes de ouvir um estalo e ver a tela quebrar ao longo da dobradiça, sem qualquer dano visível anterior — tendo o dispositivo substituído pela Apple.
Atualização (27/10, 00:53): Atualização (27/10): Novos relatos indicam que o problema das telas rachadas do iPhone Duo (o "crackgate") não ficou restrito ao caso já noticiado. Um proprietário na Austrália relatou rachadura após menos de 20 aberturas e fechamentos do aparelho, sem dano visível antes — só um estalo audível no momento da quebra. A maioria dos relatos aponta falha no mesmo ponto: a metade inferior da tela interna, ao longo da dobradiça.
Uma análise da iFixit, empresa especializada em desmontagem e reparo de eletrônicos, sugere que uma barra de suporte central na dobradiça, que deveria se retrair ao abrir o aparelho, pode não estar funcionando corretamente — o que causaria o dano. Chama atenção que os testes de pré-lançamento não detectaram o problema: a jornalista Joanna Stern dobrou o aparelho mais de 32 mil vezes e o testador Tim Pan, entre 10 e 11,5 mil vezes, sem registrar falha. A Apple substituiu o aparelho do caso relatado na Austrália ao ser contatada, mas não informou a extensão do problema.