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IAMercado08 de set. de 2026, 10:27

IPO da Anthropic é adiado para outubro e mira US$ 2 tri de valor

A Anthropic, dona do assistente de IA Claude, vai adiar o início da oferta pública inicial para meados de outubro, mirando uma avaliação de US$ 2 trilhões.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que assusta o mercado

US$ 2 trilhões. É essa a avaliação mínima que investidores da Anthropic, criadora do assistente de inteligência artificial Claude e uma das principais rivais da OpenAI, esperam alcançar no IPO da companhia — o que tornaria a oferta a maior da história das bolsas americanas, superando recordes recentes do mercado privado. Segundo apuração do Olhar Digital, a campanha da oferta só deve começar em meados de outubro, mais tarde do que o mercado esperava.

Por que o valuation subiu tão rápido

O salto se explica pelo crescimento da receita anualizada (ARR) da empresa: de US$ 9 bilhões no fim de 2025 para mais de US$ 47 bilhões em meados de 2026. Para o fechamento do ano fiscal, investidores projetam entre US$ 100 bilhões e US$ 120 bilhões em faturamento anualizado — um ritmo de expansão raro mesmo para os padrões da indústria de IA, que já viu avaliações inflarem rápido nos últimos dois anos. A estruturação do IPO está nas mãos de bancos como Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan.

Calendário político também pesa

O adiamento para outubro não é aleatório: a companhia quer concluir a listagem das ações poucos dias antes das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para novembro — um período historicamente mais instável para os mercados financeiros, o que reduz a margem de manobra caso o cenário piore depois do pleito. A manobra também dá à Anthropic mais tempo para consolidar contratos corporativos e fechar o trimestre com números ainda mais fortes para apresentar aos investidores.

O que ainda falta responder

O valuation de US$ 2 trilhões colocaria a Anthropic no mesmo patamar de gigantes consolidadas havia décadas no mercado — mas a empresa ainda opera com prejuízo em boa parte de suas operações, algo comum entre companhias de IA generativa que gastam pesado em infraestrutura de data centers para treinar e rodar seus modelos. Falta saber se o mercado aceita pagar esse múltiplo por uma empresa que ainda não provou ter lucro sustentável, e se a disputa por talento e chips com OpenAI e Google vai continuar pressionando os custos até a data do IPO.

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