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Mercado04 de set. de 2026, 16:57Atualizada em 05 de set. de 2026, 18:45

IPO de US$ 2 trilhões da Anthropic expõe trustees que podem vetar os fundadores

A avaliação de US$ 2 trilhões cogitada para o IPO da Anthropic, dona do Claude, colocaria a empresa entre as maiores estreias em bolsa da história — e joga luz sobre o Long-Term Benefit Trust, estrutura de supervisão externa que já detém maioria no conselho.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 2 trilhões: é essa a avaliação que investidores esperam que a Anthropic, criadora do assistente de IA Claude, busque em um IPO estimado para outubro. Se confirmado nesse patamar, seria o maior lançamento em bolsa da história — à frente de qualquer estreia recente no mercado americano — e colocaria a companhia lado a lado com gigantes como OpenAI e SpaceX na disputa por capital e relevância no setor de inteligência artificial.

Quem manda de fato na Anthropic

O que chama atenção de investidores institucionais, porém, não é só o múltiplo: é a governança. A Anthropic é constituída como public benefit corporation (modelo societário americano que obriga a empresa a perseguir também um propósito público, além do lucro), com um mecanismo adicional de controle chamado Long-Term Benefit Trust (LTBT), criado em 2023. O LTBT é um trust de Delaware que detém uma classe especial de ações, sem valor econômico, mas com poder de eleger uma fatia crescente do conselho de administração — meta que já foi atingida em abril de 2026, quando a indicação do executivo Vas Narasimhan, CEO da farmacêutica suíça Novartis, deu aos diretores escolhidos pelo trust a maioria das cadeiras do board.

Os trustees atuais — hoje em número reduzido a três, após a saída de um deles para assumir cargo executivo na própria empresa — não têm ações da Anthropic, não recebem salário da companhia e são escolhidos entre si, não pelos acionistas. Na prática, esse colegiado tem poder para, em tese, sobrepor decisões dos fundadores e dos investidores se entender que a empresa está se afastando de sua missão declarada de desenvolver inteligência artificial de forma segura e para benefício público.

Quem ganha e quem perde com a estrutura

Para os fundadores da Anthropic, o modelo é um ativo de reputação: sinaliza compromisso com segurança em IA em um momento de escrutínio regulatório crescente sobre o setor, e pode atrair investidores alinhados a critérios ESG ou preocupados com risco de cauda em modelos avançados. Já para o investidor tradicional de IPO, a lógica se inverte — ele compra ação sem poder de voto equivalente ao de uma empresa convencional, já que boa parte do controle de longo prazo está nas mãos de um colegiado externo sem participação econômica na empresa. Com a oferta pública prevista, esse arranjo pouco usual deixa de ser debate acadêmico de governança e passa a ser precificado, testado e questionado por um mercado de capitais que historicamente prefere controle mais previsível.


Atualização (05/09, 00:43): Atualização (05/09/2026): A Anthropic adiou o cronograma do IPO bilionário tratado nesta reportagem. Segundo a Reuters, o prospecto da oferta, antes esperado para o início de setembro, só deve ser divulgado no fim do mês. A campanha de apresentação a investidores (roadshow) foi remarcada para meados de outubro, com a listagem em bolsa prevista para ocorrer poucos dias antes das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em novembro.

A avaliação de mercado estimada segue na casa de US$ 2 trilhões (cerca de R$ 10,7 trilhões) — a mesma cifra que motivou a discussão sobre o poder de veto dos trustees da empresa sobre os fundadores, tema já coberto por esta reportagem. Bancos como Morgan Stanley, Goldman Sachs, JPMorgan e Citigroup seguem à frente da operação, e a Reuters ressalva que o calendário ainda pode sofrer novas mudanças.


Atualização (05/09, 18:45): Atualização (05/09/2026): A Anthropic adiou o início da campanha de seu IPO, que agora deve começar apenas em meados de outubro — a divulgação do prospecto, antes esperada para a primeira semana de setembro, foi empurrada para o fim do mês. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o objetivo da empresa é concluir a listagem das ações poucos dias antes das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para novembro, o que sugere um cronograma calculado para evitar a turbulência política do período eleitoral. A avaliação esperada para a oferta segue em US$ 2 trilhões, o que tornaria o IPO um dos maiores da história do mercado americano.

Nenhuma das fontes consultadas apontou um motivo regulatório ou financeiro específico para o adiamento — a Anthropic não comentou publicamente a mudança de data.

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