
Itália propõe multa de R$ 450 para quem atravessa a rua olhando o celular
Texto-base do novo Código de Trânsito italiano prevê penalidade de 75 euros para pedestres distraídos pelo smartphone durante a travessia. A proposta ainda está em consulta pública, sem data de vigência definida.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
O que a proposta prevê
A Itália discute uma mudança que vai direto ao bolso de quem anda com o olho grudado na tela: o texto-base do novo Codice della Strada (Código de Trânsito) prevê multa de 75 euros — cerca de R$ 450 na cotação atual — para pedestres flagrados usando celular, tablet ou câmera enquanto atravessam a rua. Nas calçadas, o uso segue liberado. Chamadas em viva-voz ou com fone também continuam permitidas, desde que não comprometam a percepção do ambiente ao redor.
O texto também reforça outras obrigações do pedestre: parar antes de atravessar e checar se os motoristas notaram sua presença, além de manter comportamento previsível durante a travessia, sem mudanças bruscas de direção. É uma pauta que me interessa porque mobilidade segura não é só sobre carro autônomo ou semáforo inteligente — é sobre o básico, como o cidadão atravessa a rua no dia a dia.
Foto: reprodução/ilmessaggero.it
Ainda não é lei
Vale o alerta: essa é uma proposta em fase de consulta pública, não uma lei em vigor. Segundo o cronograma italiano, o prazo para pareceres e contribuições vai até 13 de setembro, e o Ministério dos Transportes deve fechar o texto definitivo até 14 de outubro — depois disso, a proposta ainda precisa passar pelo trâmite parlamentar. Ou seja, ninguém vai ser multado amanhã, mas o desenho da regra já está posto.
Não é a primeira vez no mundo
A ideia de punir a distração do pedestre não é nova. Honolulu, no Havaí, foi pioneira em 2017 ao proibir olhar para a tela do celular ao atravessar, com multas escalonadas que iam de 35 a 99 dólares conforme a reincidência. Nos Estados Unidos, a cidade de Fort Lee, em Nova Jersey, já havia multado pedestres distraídos em 2012, embora um projeto de lei estadual mais amplo não tenha avançado. A diferença é que a Itália agora discute isso em nível nacional, dentro de uma reforma completa do código de trânsito — o que dá à medida um peso institucional maior do que uma ordenança municipal isolada.