
Itaú compra 100% da NeoSpace por R$ 2,9 bilhões e internaliza IA
Banco já tinha 15% da startup de inteligência artificial e agora assume o controle total, em negócio que ainda depende de aval do Cade e do Banco Central.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
R$ 2,9 bilhões é o preço que o Itaú está pagando para não depender de ninguém em IA
O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (26) a compra de 100% da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial, por R$ 2,925 bilhões. O pagamento será feito em parte no fechamento do negócio e o restante distribuído ao longo de cinco anos — estrutura típica para reter os fundadores e evitar fuga de talento logo após a aquisição.
A NeoSpace, que desenvolve modelos para identificar padrões e relações em grandes volumes de dados aplicados a crédito, gestão financeira, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes, não é desconhecida do banco. Em janeiro de 2025, o Itaú já tinha entrado no cap table com um aporte de cerca de US$ 15 milhões por 15% da empresa, além de um acordo comercial para o desenvolvimento conjunto de modelos de IA. A operação agora anunciada fecha o ciclo: de sócio minoritário a controlador único.
Quem ganha com a consolidação
Para o Itaú, o racional é claro. Internalizar 100% do capital intelectual da NeoSpace significa parar de dividir propriedade sobre tecnologia que já está no centro da estratégia digital do banco — a expectativa é que a startup acelere a evolução do ia.i, o assistente generativo que o Itaú vem promovendo como diferencial competitivo. Em um setor bancário brasileiro que compete cada vez mais por eficiência operacional via IA, ter esse time e essa tecnologia sob controle direto reduz risco de dependência externa e evita que concorrentes também se beneficiem do mesmo fornecedor.
Vale notar que não é a primeira vez que o Itaú compra uma empresa ligada aos fundadores da NeoSpace — Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs também fundaram a Zup, adquirida pelo banco em 2020 por mais de R$ 500 milhões. O padrão sugere uma relação de longo prazo entre o banco e esse grupo de empreendedores, não uma aquisição oportunista isolada.
O que falta para o negócio ser concluído
A operação ainda não está fechada. Ela depende da aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, reguladores que avaliam tanto questões concorrenciais quanto o enquadramento da NeoSpace nas regras do sistema financeiro. Enquanto isso, a startup deve manter operação autônoma, com Bruno Pierobon permanecendo como CEO e a equipe de pesquisa e desenvolvimento preservada — um sinal de que o Itaú quer comprar continuidade, não apenas tecnologia pronta.
Se aprovado, o negócio reforça uma tendência observada em todo o mercado financeiro brasileiro: bancos grandes preferem comprar a capacidade de IA que já validaram como parceiros, em vez de apostar em construir tudo internamente do zero.