
JAC culpa "barulho" da BYD por engavetar rival do Dolphin no Brasil
Vice-presidente da JAC Motors Brasil diz que a exposição da BYD acelerou a alta do Imposto de Importação para 35% em veículos elétricos, inviabilizando o lançamento do hatch E-JS3, que chegaria para enfrentar o Dolphin.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O hatch que não saiu da garagem
A JAC Motors admitiu que o E-JS3, hatch elétrico pensado para brigar com o BYD Dolphin, não tem mais data de lançamento confirmada no Brasil. Segundo Nicolas Habib, vice-presidente de operações da JAC no país, o "barulho" causado pela exposição da BYD no mercado brasileiro ajudou a acelerar a discussão sobre a taxação de elétricos importados — justamente no momento em que a JAC preparava o carro para chegar às concessionárias. Parte das unidades de teste do modelo segue parada em um galpão da marca, no bairro do Limão, em São Paulo.
Imposto de 35% muda a conta
Foto: reprodução/autopapo.com.br
Desde julho de 2026, carros elétricos importados pagam alíquota de 35% de Imposto de Importação, o teto do cronograma de retaxação que vinha sendo aplicado gradualmente desde 2024. Para a JAC, esse patamar inviabilizou o modelo de negócio pensado para o E-JS3, que havia sido enviado a concessionárias com lançamento planejado para março de 2026. O hatch mediria 4,02 m de comprimento, 1,77 m de largura e 1,56 m de altura, com opções de motor de 95 cv (405 km de autonomia no ciclo NEDC) e 135 cv (505 km).
BYD dita o ritmo da concorrência
A comparação com a BYD não é gratuita. A rival chinesa chegou ao Brasil na virada de 2023 para 2024 com o Dolphin e investiu pesado em comunicação, memes, influenciadores e presença na TV — script parecido, segundo Habib, com o que a própria JAC usou para entrar no mercado brasileiro em 2011. A diferença é que a BYD conseguiu construir escala e visibilidade rápido o suficiente para se tornar o parâmetro do segmento de elétricos compactos, pressionando o governo a rever os incentivos tributários que sustentavam o crescimento acelerado das importadas chinesas.
Quem ganha e quem perde
No tabuleiro dos elétricos de entrada, a BYD sai fortalecida: com o Dolphin já consolidado, a alta do imposto funciona como barreira extra contra novos concorrentes diretos, como o E-JS3 e outros rivais que mirava o mesmo público, casos do Geely EX2 e do Ora 03. Já a JAC perde a chance de ampliar a linha 100% elétrica no momento em que o mercado mais crescia, e vem reagindo com mudança de estratégia: a marca vai reforçar o portfólio com modelos térmicos e híbridos, como a picape Hunter, movida a motor 2.0 turbodiesel, reduzindo a dependência de elétricos puros importados da China.