
James Webb encontra pistas sobre a origem do cometa interestelar 3I/ATLAS
Observações do telescópio da NASA mostram que o gelo do visitante interestelar é muito mais sujo e rico em dióxido de carbono do que o de cometas nascidos no Sistema Solar.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: é o terceiro visitante de fora do Sistema Solar já flagrado por telescópios
Antes do 3I/ATLAS, só dois outros objetos vindos de fora do Sistema Solar tinham sido confirmados cruzando nossa vizinhança: 1I/'Oumuamua, em 2017, e 2I/Borisov, em 2019. O 3I/ATLAS foi identificado em julho de 2025 e teve sua maior aproximação da Terra registrada em 19 de dezembro de 2025. Agora, dados do Telescópio Espacial James Webb, da NASA, revelam o que há de mais estranho nesse viajante: ele não se parece com os cometas que conhecemos.
O que foi confirmado
Segundo o estudo liderado por Silvia Protopapa, do Southwest Research Institute (SwRI), instituto de pesquisa aplicada dos Estados Unidos dedicado a ciência espacial e planetária, publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, os grãos de gelo do 3I/ATLAS estão muito mais misturados com poeira do que o gelo dos cometas nativos do Sistema Solar. A análise espectral do instrumento NIRSpec do Webb encontrou apenas uma marca de absorção no gelo do objeto, contra três marcas típicas de cometas solares — sinal de que o gelo ali é "sujo", e não o gelo de água praticamente puro que se forma por aqui.
O estudo também mediu uma das concentrações de dióxido de carbono mais altas já registradas em um cometa: a razão entre CO2 e água na coma, a nuvem de gás e poeira ao redor do núcleo, chegou a 7,6, com margem de erro de 0,3.
O que é hipótese
Com base na composição observada, os pesquisadores estimam que o 3I/ATLAS tenha se formado no disco protoplanetário de uma estrela jovem há mais de 10 bilhões de anos, antes de ser arrancado gravitacionalmente de seu sistema de origem. A equipe também sugere que o objeto possa ser um fragmento resultante da colisão e destruição de um corpo gelado maior em seu sistema natal. São interpretações plausíveis a partir dos dados, mas não fatos observados diretamente.
Por que importa
Se confirmadas por observações futuras, essas pistas químicas podem ajudar a entender como se formam planetas e cometas em sistemas estelares diferentes do nosso.