
James Webb identifica 'estrela de buraco negro', novo tipo de objeto cósmico
Astrônomos do MIT usaram o telescópio James Webb para identificar o MoM-BH*-1, um buraco negro envolto em gás denso que brilha como uma estrela e pode explicar os misteriosos 'little red dots' do universo primordial.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagine uma "estrela" do tamanho do Sistema Solar, brilhando 100 bilhões de vezes mais do que qualquer fusão nuclear conseguiria produzir — mas sem nenhuma reação de fusão acontecendo lá dentro. Foi isso que uma equipe liderada por Rohan Naidu, do Kavli Institute for Astrophysics and Space Research do MIT, encontrou usando o telescópio espacial James Webb.
O que foi confirmado
O objeto, batizado MoM-BH*-1, existia poucas centenas de milhões de anos após o Big Bang e foi descrito em estudo publicado em 12 de agosto na revista Nature, resultado do levantamento "Mirage or Miracle" (MoM), originalmente montado para caçar galáxias antigas. Os dados mostram um buraco negro central de cerca de 100 mil massas solares, envolto por uma camada densa de gás de hidrogênio do tamanho do Sistema Solar — uma espécie de "casca" que funciona como fotosfera e faz o conjunto parecer, de longe, uma estrela gigante.
O que ainda é hipótese
A explicação de que a luminosidade vem da acreção de matéria pelo buraco negro — e não de fusão nuclear — é o cenário que melhor se encaixa nos dados observados, segundo a equipe do MIT, mas segue sendo um modelo, não uma medição direta da estrutura interna do objeto.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Por que importa
O achado pode ser o protótipo de uma classe de objetos que ajudaria a resolver um dos maiores mistérios do James Webb: os "little red dots", pontos avermelhados e extremamente brilhantes que aparecem aos montes em imagens do universo primordial, mas somem no universo mais próximo. A hipótese da equipe é que parte desses pontos vermelhos sejam, na verdade, buracos negros jovens envoltos em gás denso — "estrelas de buraco negro" como o MoM-BH*-1 — escondidos dentro de galáxias em formação.
O que falta responder
Ainda não se sabe quantos desses objetos existem, nem se todos os "little red dots" têm essa origem. A confirmação depende de encontrar mais candidatos e de testar se o modelo se sustenta diante de novas observações do Webb.