
Japão a caminho de Marte, Orionídeas e Mercúrio retrógrado: a semana no espaço
A JAXA lançou a sonda MMX rumo às luas de Marte, a chuva de meteoros Orionídeas chegou ao pico de visibilidade no Brasil e um estudo liga mais de 32 mil mortes na Europa ao calor extremo potencializado pela mudança climática.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: enquanto o Brasil ainda digeria o pico de uma chuva de meteoros vista a olho nu, uma sonda do tamanho de uma van decolou do Japão numa viagem de cinco anos até as luas de Marte. A semana em ciência e espaço reuniu avanços confirmados, fenômenos astronômicos de calendário e um alerta sobre os efeitos já mensuráveis do calor extremo.
Japão lança sonda rumo às luas de Marte
A JAXA, a agência espacial japonesa, lançou em 20 de outubro a sonda MMX (Martian Moons eXploration) a bordo do foguete H3, do Centro Espacial de Tanegashima. A missão tem data prevista, não é hipótese: a MMX deve pousar em Fobos, a maior lua de Marte, a partir de dezembro de 2028, coletar ao menos 10 gramas de material da superfície em poucas horas e trazer essas amostras à Terra em 2031. Também está prevista uma passagem próxima por Deimos, a outra lua marciana. O objetivo científico é confirmado pela própria agência: entender se Fobos e Deimos são asteroides capturados pela gravidade de Marte ou destroços de um impacto antigo no planeta.
Orionídeas no pico e Mercúrio ficando retrógrado
No campo dos fenômenos já observados, a chuva de meteoros Orionídeas atingiu o pico de atividade em 21 de outubro, com boa visibilidade em todo o território brasileiro nas primeiras horas da madrugada. O fenômeno é gerado pelos detritos deixados pelo cometa Halley em sua órbita. Já nesta semana começa Mercúrio retrógrado, fenômeno astronômico real (o planeta parece inverter o sentido do movimento visto da Terra), mas cujos efeitos sobre contratos, conversas e planos pertencem ao campo da astrologia, não da astronomia — vale separar os dois.
Calor extremo: números de um estudo, não projeção
Um levantamento do Imperial College London e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que analisou 854 cidades em 30 países europeus, estimou 50,4 mil mortes associadas ao calor no verão de 2026. Desse total, cerca de 32,6 mil óbitos — dois terços — são atribuídos ao aquecimento de origem humana, tornando o período o mais letal por calor desde o início da série histórica, em 2000.
Falcon 9 perde espaço e tensiona a defesa dos EUA
A SpaceX está reduzindo o protagonismo do Falcon 9 em favor do Starship, considerado pela empresa mais eficiente para operações futuras. O problema é que o Falcon 9 respondeu por 85% dos lançamentos feitos nos EUA em 2025, e o Starship ainda não foi adaptado aos requisitos dos satélites militares. Resultado: três missões militares da Força Espacial americana ficaram sem fornecedor definido, já que alternativas como o Vulcan Centaur, da ULA, enfrentam atrasos e o New Glenn, da Blue Origin, sofreu uma explosão em maio.
Asteroides sob monitoramento, sem risco confirmado
Sobre ameaças espaciais, a NASA mantém o monitoramento de objetos próximos à Terra. O cenário é de vigilância, não de alarme: o principal objeto acompanhado no momento está classificado em nível zero de risco, e observações recentes já permitiram descartar ameaças de outros asteroides para os próximos cem anos.