
Japão lança sonda para trazer pedaço da lua marciana Fobos à Terra
Sonda MMX, da agência espacial japonesa JAXA, decolou rumo a Marte e deve pousar em Fobos em 2029 para coletar amostras e devolvê-las à Terra em 2031.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: um pouco de pó de uma lua do tamanho de uma cidade
Fobos, a maior lua de Marte, tem cerca de 22 quilômetros de diâmetro — menor do que muitas cidades brasileiras de ponta a ponta. É esse pedaço de rocha espacial que a JAXA, agência espacial japonesa equivalente à NASA americana, quer trazer de volta à Terra com a sonda MMX (Martian Moons eXploration), lançada em 19 de outubro a bordo do foguete H3, do centro de lançamento de Tanegashima.
O que já está confirmado
A missão vai até a órbita de Marte para estudar as duas luas do planeta, Fobos e Deimos, e deve pousar até duas vezes na superfície de Fobos — tentativa prevista para 2029. Se os pousos derem certo, a MMX vai coletar amostras da superfície e trazê-las de volta à Terra em 2031, tornando-se a primeira missão a devolver material de uma lua marciana para análise em laboratório.
O projeto é liderado pela JAXA, mas tem participação confirmada da NASA, da agência espacial europeia ESA, da francesa CNES (Centre National d'Études Spatiales) e da alemã DLR, agência espacial alemã — parceria que inclui instrumentos científicos embarcados na sonda.
O que ainda é hipótese
O motivo científico por trás da viagem de seis anos entre ida, pouso e retorno é uma pergunta que a astronomia ainda não resolveu: Fobos e Deimos são asteroides capturados pela gravidade de Marte, ou escombros deixados por um impacto gigante no planeta há bilhões de anos? As duas hipóteses têm defensores, mas só a análise de amostras reais — e não apenas de imagens feitas em órbita — pode indicar qual delas é mais provável.
Por que a distinção importa
Se forem asteroides capturados, Fobos e Deimos contam a história de como o Sistema Solar distribuía corpos menores perto dos planetas internos. Se forem destroços de colisão, a dupla de luas se torna testemunha fóssil de um Marte muito mais violento do que o que conhecemos hoje. É esse veredito que as amostras da MMX, previstas para chegar ao laboratório só em 2031, devem ajudar a fechar.