
JAXA lança missão para trazer amostras de Fobos, lua de Marte, até 2031
A missão japonesa MMX decolará ainda em 2026 rumo a Fobos, maior lua de Marte, para coletar ao menos 10 gramas de material e buscar pistas sobre a origem da vida no Sistema Solar. O retorno à Terra está previsto para 2031.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: um grão de poeira de 10 gramas recolhido a mais de 50 milhões de quilômetros da Terra pode ajudar a explicar como a vida surgiu em planetas rochosos. É essa a aposta da agência espacial japonesa JAXA com a missão MMX (Martian Moons eXploration), que deve decolar do Centro Espacial de Tanegashima nos próximos meses.
O que está confirmado
Segundo a JAXA, o lançamento está previsto para o ano fiscal japonês de 2026 — buscas independentes indicam janela entre novembro e dezembro deste ano. A sonda deve levar cerca de um ano para chegar a Marte e outro ano, aproximadamente, para retornar à Terra depois de deixar o sistema marciano, totalizando por volta de cinco anos de missão, com pouso em Fobos e retorno das amostras estimado para 2031.
O alvo principal é Fobos, a maior das duas luas de Marte (a outra, Deimos, será apenas observada, sem pouso). A meta é coletar ao menos 10 gramas de material da superfície — o que tornaria a MMX a primeira missão a trazer amostras da região marciana para a Terra. O projeto reúne a agência japonesa, a francesa CNES, a alemã DLR, além de colaboração da NASA e da ESA. Um rover batizado de Idefix, nome do cachorro do personagem Asterix, fará parte da missão.
A hipótese que move o projeto
O objetivo científico declarado pela JAXA é esclarecer a origem das luas marcianas — se são asteroides capturados pela gravidade de Marte ou fragmentos de uma colisão antiga — e entender a evolução do sistema formado por Marte, Fobos e Deimos. É nesse ponto que entra a busca por pistas sobre a origem da vida: o astrofísico Patrick Michel afirma que a missão busca indícios sobre o transporte de materiais que teriam sido fundamentais para o surgimento da vida em planetas rochosos, não a descoberta de vida em si. É uma hipótese de trabalho, não um fato estabelecido.
Contexto e comparações
A MMX não está sozinha na corrida por amostras do sistema marciano: a missão chinesa Tianwen-3 tem lançamento previsto para cerca de 2028 e também mira retorno de amostras por volta de 2031, mas com foco na superfície de Marte, não em suas luas. Como referência de capacidade técnica, a missão japonesa Hayabusa-2 já havia trazido 5,4 gramas de material de um asteroide à Terra em 2020 — uma fração do que a MMX pretende recolher em Fobos.
Atualização (21/08, 03:49): A JAXA confirmou a data de lançamento da missão MMX (Martian Moons eXploration): o foguete H3 decolará do Centro Espacial de Tanegashima às 4h41 (horário local) de 20 de outubro, levando a sonda em direção a Fobos, a maior lua de Marte. Depois de cerca de três anos orbitando o planeta, a espaçonave tentará pousar na superfície de Fobos para coletar ao menos dez gramas de material, com apoio do minirover IDEFIX, que fará observações complementares no solo.
A cápsula de retorno com as amostras coletadas deve pousar na Austrália em 2031. Além de Fobos, a MMX também vai estudar Deimos, a segunda lua marciana, sem pousar em sua superfície. Os dados coletados devem ajudar a esclarecer a origem das luas de Marte — se são asteroides capturados pela gravidade do planeta ou fragmentos ejetados por um impacto antigo — além de contribuir para questões sobre a formação do Sistema Solar.