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IA19 de set. de 2026, 11:00

Jev: modelo de ex-criador do ChatGPT promete ser 100x mais barato

A TypeSafe AI, startup de Diego Almeida, lançou o Jev, um modelo que não gera texto e sim probabilidades calibradas — e já sobrecarregou a própria API com a demanda.

Por Marina Sato · Repórter de IA

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Até 100 vezes mais barato

A TypeSafe AI, startup fundada por Diego Almeida, ex-pesquisador da OpenAI e um dos criadores do ChatGPT e do método RLHF (aprendizado por reforço com feedback humano), lançou em acesso antecipado o Jev — modelo de IA que a empresa afirma ser até 100 vezes mais rápido e 100 vezes mais barato que LLMs convencionais em tarefas de classificação e decisão. A demanda inicial foi tão alta que a própria API da empresa chegou a ficar temporariamente indisponível.

Um modelo que não escreve texto

O Jev pertence a uma categoria nova que a TypeSafe chama de System One — referência ao pensamento intuitivo e rápido descrito pelo psicólogo Daniel Kahneman. Diferente dos LLMs tradicionais, que geram texto token a token, o Jev usa um “parallel sampler” que calcula todas as respostas possíveis numa única consulta, treinado com uma técnica batizada de RLCD (aprendizado por reforço para decisões calibradas), com dados sintéticos. A saída não é texto solto, e sim probabilidades e níveis de confiança calibrados entre respostas predefinidas pelo próprio usuário — o que, segundo a empresa, elimina o risco de alucinação, já que o modelo não pode “inventar” uma resposta fora do conjunto permitido.

No modelo de cobrança, tokens de saída são gratuitos; só a entrada é cobrada, por bilhão de tokens — e não por milhão, como é padrão no mercado.

O que os primeiros clientes dizem

A Vercel, plataforma de desenvolvimento web bastante usada por programadores, reportou resultados de 5 a 18 vezes mais rápidos e com mais precisão que um modelo concorrente em tarefas de classificação. Já a Bryo AI, startup americana de automação de processos com IA, apurou custo de 10 a 20 vezes menor que o Gemini, do Google, com pequena perda de acurácia. “É o único que devolve uma probabilidade real, o que o torna ideal para automatizar fluxos de trabalho”, disse Nikhil Mudholkar, CTO da Bryo AI.

O que falta responder

Almeida resume a aposta da empresa dizendo que a IA atual tem “um raio numa garrafa, e mesmo assim ele não é útil” — argumento de que os modelos são poderosos, mas “falam uma língua diferente” da humana. Falta ver se o Jev se sai bem fora de tarefas de classificação e decisão, onde a técnica foi otimizada, e se a promessa de custo baixo se sustenta quando a empresa precisar atender escala real, fora do regime de acesso antecipado.

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