
JioHotstar estreia em Reino Unido, Canadá e Cingapura — mas deixa o cricket em casa
A gigante indiana de streaming da Reliance chega a três novos mercados com 160 mil horas de entretenimento, mas sem esportes ao vivo, numa aposta calculada na diáspora sul-asiática antes de disputar audiência global.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
A partir de 2 de setembro, a Hotstar deixa de existir no Reino Unido, no Canadá e em Cingapura. No lugar, entra a JioHotstar, plataforma de streaming controlada pela indiana Reliance Industries, que usa esses três países para dar o primeiro passo de uma expansão internacional cuidadosamente desenhada — e, por enquanto, sem a arma que mais atrai assinantes na Índia: o esporte ao vivo.
O tamanho do negócio em casa
A JioHotstar nasceu em fevereiro de 2025 da fusão entre o Viacom18 da Reliance e a Star India da Disney, acordo de US$ 8,5 bilhões que consolidou um duopólio no mercado indiano de streaming — as duas maiores plataformas do país somam hoje cerca de 85% da audiência. A companhia já ultrapassou 100 milhões de assinantes pagos, primeira OTT indiana a cruzar essa marca, com 450 milhões de usuários ativos mensais. O mercado indiano de OTT está avaliado em torno de US$ 11 bilhões em 2026, com projeção de dobrar até 2031.
Por que esses três países
A escolha não é aleatória: Reino Unido, Canadá e Cingapura concentram, juntos, mais de 4 milhões de pessoas de origem indiana, segundo o Ministério de Assuntos Externos da Índia. É a lógica clássica de expansão via diáspora — replicar o catálogo que já funciona em casa (mais de 160 mil horas de filmes, séries originais e canais como Star Plus e Colors, em mais de 12 idiomas) para um público que já tem apetite comprovado por ele.
O que ficou de fora
Na Índia, a JioHotstar é sinônimo de esporte: IPL, WPL, cricket da seleção nacional e até a Premier League inglesa estão disponíveis na plataforma. Nos três novos mercados, nada disso estará no ar no lançamento — a empresa atribui a ausência a "acordos de conteúdo existentes" já licenciados a outros players nesses territórios, mas não descarta adicionar esporte no futuro.
Amit Malhotra, à frente do negócio internacional da JioStar, disse que a empresa não quer "simplesmente exportar um serviço de streaming indiano", mas construir para um público "mais amplo e mal atendido" globalmente. Os preços de lançamento — £19,99 trimestral ou £69,99 anual no Reino Unido, por exemplo — ficam bem acima dos ₹79 mensais cobrados na Índia. Não há, por ora, data para chegada aos Estados Unidos, o maior mercado de diáspora indiana do mundo.