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Mercado13 de ago. de 2026, 22:10Atualizada em 14 de ago. de 2026, 15:41

Juiz manda Google facilitar instalação de lojas de apps rivais

O juiz James Donato, da Justiça Federal americana, determinou que o Google elimine as barreiras que ainda dificultavam a instalação de lojas de apps concorrentes no Android, reforçando a injunção de 2024 no caso movido pela Epic Games.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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22 de julho de 2026 é a data que o Google não conseguiu adiar. Foi quando a Play Store nos Estados Unidos passou a exibir e permitir a instalação direta de lojas de aplicativos rivais — sem o processo de sideloading, cheio de avisos de segurança e etapas extras, que historicamente afastava o usuário comum da concorrência. E, segundo apurou o The Verge, o juiz federal James Donato deixou claro que qualquer fricção residual imposta pelo Google para dificultar essa instalação simplesmente "não é aceitável".

A origem da briga

A determinação é a continuação direta da injunção que Donato aplicou em outubro de 2024, depois que um júri considerou o Google culpado de manter um monopólio ilegal na distribuição de apps Android — vitória da Epic Games, dona do Fortnite, em uma batalha judicial que já dura mais de cinco anos. A ordem original obrigava a companhia a hospedar lojas de apps concorrentes dentro da própria Play Store e a compartilhar seu catálogo de aplicativos com essas rivais.

O Google recorreu, tentou suspensões e chegou a negociar com a Epic uma versão modificada do acordo, protocolada em março de 2026. Mas um economista independente nomeado pelo próprio tribunal apontou, em declaração de julho, que as mudanças propostas esvaziariam as partes mais competitivas da injunção original. Em 15 de julho, às vésperas de uma audiência decisiva, Google e Epic desistiram em conjunto da proposta de acordo — o que revalidou a injunção de Donato em toda a sua força.

Quem ganha e quem perde

A Epic sai fortalecida: a decisão consolida o precedente de que gigantes de plataforma não podem se esconder atrás de telas de aviso e etapas burocráticas para proteger sua fatia de mercado. Lojas rivais, como a Aptoide — a primeira a aparecer dentro da própria Play Store em mais de uma década, segundo o TechTimes — também colhem os frutos, com acesso ao catálogo do Google e instalação em um único toque, igual a qualquer outro app.

Já o Google perde a principal barreira que ainda sustentava sua taxa de até 30% sobre transações no Android. Em nota ao The Verge, o porta-voz Dan Jackson afirmou que a empresa optou por não prolongar uma disputa que gerava incerteza para o ecossistema, e que passaria a executar as mudanças de modelo de negócio já anunciadas.

O que muda na prática

Com a ordem reforçada, o Google não pode mais recorrer a avisos de segurança exagerados ou fluxos de instalação deliberadamente complicados para desestimular o usuário a baixar uma loja concorrente. Para o mercado de distribuição de apps, é a confirmação de que o modelo fechado do Android começou, de fato, a ruir sob pressão judicial.


Atualização (14/08, 15:41): ## Juiz dá uma semana para Google implementar as mudanças

Em audiência realizada em 13 de agosto em São Francisco, o juiz federal James Donato, responsável pelo caso Epic Games v. Google, classificou o processo atual de busca e instalação de lojas de aplicativos rivais dentro do Google Play como "inaceitável" e determinou que a Google implemente as correções em até uma semana, com prazo final em 20 de agosto.

Durante a audiência, o advogado da Epic, Yonatan Even, demonstrou ao juiz que uma busca por "store for apps" (loja de aplicativos) no Google Play retornava resultados de varejistas físicos, como o Walmart, em vez de lojas de aplicativos concorrentes. Donato determinou que a Google corrija toda variação próxima dessa busca, exigindo que até frases com cerca de 70% de acerto na formulação retornem o resultado correto.

O juiz também mandou eliminar etapas de fricção no fluxo de instalação: hoje o usuário precisa tocar em "Ver" (View) antes de poder tocar em "Instalar" (Install) ao escolher uma loja de apps de terceiros — passo extra que, segundo Donato, não existe para outros aplicativos, como o Apple Music. Também deve ser removido o banner "are you looking for" (você está procurando por), descrito pelo juiz como fricção "sem propósito algum". A defesa da Google concordou em tribunal com as três mudanças exigidas.

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