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MercadoIA15 de out. de 2026, 10:22

Juiz manda OpenAI entregar dados de contratação em disputa com a Apple

Decisão na Justiça da Califórnia obriga a OpenAI a liberar depoimentos e arquivos de ex-funcionários da Apple em até 14 dias, no processo que acusa a empresa de roubo de segredos comerciais.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: 14 dias de prazo

O juiz federal Edward J. Davila, da Justiça do Distrito Norte da Califórnia, deu à OpenAI até 14 dias para entregar à Apple documentos, depoimentos e imagens forenses de dispositivos ligados a ex-funcionários da fabricante do iPhone que migraram para a empresa de Sam Altman. Materiais já reunidos pela OpenAI devem ser repassados em apenas 5 dias. A decisão, de 13 de outubro, chega um dia antes de uma audiência que vai discutir se o caso segue adiante e se a Apple consegue uma liminar contra a OpenAI.

O caso: de parceria a processo

Foto: reprodução/news.bloomberglaw.com

A disputa nasceu de uma reviravolta e tanto. Apple e OpenAI tinham uma parceria de alto perfil firmada em 2024, com o ChatGPT integrado ao iOS via Apple Intelligence. Em julho de 2026, a Apple decidiu processar a OpenAI, alegando um “padrão de roubo” de segredos comerciais para o desenvolvimento de hardware de consumo com IA — e afirma ter avisado a OpenAI sobre suas preocupações já em fevereiro, sem resposta.

Os nomes por trás do processo

Três pessoas estão no centro da ação: Chang Liu, engenheiro sênior de sistemas elétricos com oito anos de Apple antes de ir para a OpenAI, acusado de não devolver um notebook da empresa e usá-lo para baixar documentos técnicos confidenciais; Alyssa Peng, também ex-Apple, hoje na OpenAI; e Tang Yew Tan, hoje Chief Hardware Officer da OpenAI e ex-executivo de hardware da Apple, a quem a Apple atribui a orientação para que candidatos a vaga levassem “peças reais” da empresa a entrevistas de emprego.

Foto: reprodução/cnbc.com

O que o juiz concedeu — e o que negou

Davila autorizou a Apple a fazer depoimentos antecipados de Liu, Peng e Tan, acessar imagens forenses de seus dispositivos, resumos de entrevistas internas da Apple e conversas entre Liu e Peng no aplicativo de mensagens LINE. A urgência, segundo o juiz, se justifica pelo risco real de destruição de provas: ele citou especificamente uma troca de mensagens entre os dois sobre apagar dispositivos eletrônicos de propriedade da Apple. Por outro lado, negou à Apple acesso amplo à pesquisa e desenvolvimento da OpenAI em áreas como acabamento metálico e gerenciamento de energia — sinal de que a Justiça está disposta a abrir só o necessário para investigar indícios concretos, não para dar à Apple uma visão geral da P&D da rival.

Quem ganha, quem perde

No curto prazo, a Apple sai fortalecida: consegue acesso a provas que podem embasar o pedido de liminar contra a OpenAI e os ex-funcionários. Para a OpenAI, o processo é mais um ponto de atrito em um momento de expansão agressiva para hardware de consumo com IA — território que a Apple considera seu quintal. A audiência marcada para o dia seguinte à decisão deve indicar se o caso ganha ainda mais fôlego.


Atualização (14/10, 01:01): O juiz Edward Davila, do Distrito Norte da Califórnia, deu à Apple acesso antecipado a imagens forenses de dispositivos, conversas privadas trocadas pelo aplicativo LINE entre os ex-funcionários da Apple Chang Liu e Alyssa Peng, e depoimentos antecipados de três pessoas: o próprio Liu, Peng e Tang Yew Tan, ex-vice-presidente de design da Apple por 24 anos e hoje diretor de hardware na OpenAI. A OpenAI tem 5 dias para entregar o material já reunido e 14 dias para os documentos restantes.

O motivo da urgência, segundo o próprio juiz, foi o risco de destruição de provas: ele citou uma conversa entre Liu e Peng discutindo apagar dispositivos que pertenciam à Apple. Por outro lado, Davila negou o pedido mais amplo da Apple por acesso a pesquisas da OpenAI sobre acabamento de metais e gerenciamento de energia — a decisão foi parcial, não total.


Atualização (14/10, 15:44): ## OpenAI acusa ex-funcionário de levar planos de produto à Apple

Em nova petição no processo que corre na Justiça Federal de San Jose, na Califórnia, a OpenAI alega que um ex-funcionário moveu mais de 100 arquivos ligados a um produto ainda não lançado da empresa para uma conta pessoal e depois apresentou detalhes do dispositivo à liderança sênior da Apple. Segundo a OpenAI, os arquivos incluem imagens de pelo menos um aparelho inédito, informações de fornecedores, dados de engenharia, arquivos de projeto e padrões de acabamento cosmético, além de relatórios sobre revestimento e vedação de componentes de hardware.

A empresa afirma que a apresentação à Apple ocorreu meses atrás e cita o lançamento recente do produto de IA da própria Apple, o HomeView, como parte do contexto da disputa. O caso se soma à ação movida pela Apple em julho de 2026, que acusa a OpenAI e sua unidade de hardware, a io Products, de recrutar sistematicamente ex-engenheiros da Apple para obter informações confidenciais sobre hardware.

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