
Julho de 2026 empata como o mês mais quente já registrado no planeta
Segundo a NOAA, a temperatura média global ficou 1,18°C acima do padrão do século 20, empatando com julho de 2024. Nos EUA, foi o mês mais quente da história, superando recorde de 1936.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Pra ter ideia do tamanho do recorde: o planeta inteiro, em média, esteve 1,18°C mais quente em julho de 2026 do que a média do século 20 para o mesmo mês — segundo dados da agência americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration). Não é um recorde local. É a temperatura de todos os continentes e oceanos, somada e dividida.
O que está confirmado
Foto: reprodução/yaleclimateconnections.org
A NOAA confirma: julho de 2026 empatou com julho de 2024 como o julho mais quente desde o início das medições, em 1850. A NASA foi além e classificou julho de 2026 como o mais quente da história, sozinho, sem empate. Já o serviço europeu Copernicus colocou o mês em segundo lugar no ranking — a diferença entre as agências vem de métodos distintos de medição e de preenchimento de lacunas de dados, não de uma discordância sobre a tendência.
Os oceanos também bateram recorde: a temperatura da superfície marinha ficou 1,02°C acima da média, a primeira vez que um mês de julho ultrapassa a marca de 1°C nessa métrica. América do Norte, África e Ásia registraram, cada uma, o julho mais quente de sua própria série histórica.
O caso americano
Nos Estados Unidos, o recorde é ainda mais amplo. A média nos 48 estados contíguos foi de 24,9°C — não só o julho mais quente já registrado no país, mas o mês mais quente de qualquer natureza em 132 anos de medições, superando a marca que resistia desde a era da Dust Bowl, em 1936.
O ponto mais quente do mês foi Omidieh, no Irã, com 52,7°C no dia 14 de julho.
O que ainda é hipótese
O que a NOAA classifica como "mais provável do que não" é o superlativo global — a agência trabalha com margem estatística, não com certeza absoluta, ao afirmar que julho de 2026 é o mês mais quente desde 1850. Já é possível dizer, sem margem de dúvida, que o período de janeiro a julho de 2026 é o terceiro mais quente já registrado para os sete primeiros meses do ano.
O preço do calor
No primeiro semestre de 2026, o mundo já contabilizou 29 desastres climáticos que ultrapassaram US$ 1 bilhão em prejuízo cada um, somando US$ 104 bilhões — cerca de R$ 572 bilhões.