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Games08 de set. de 2026, 10:27

Juno Cecílio, da Gixer Entertainment, expõe os desafios de fazer games no Brasil

Fundador da Gixer Entertainment, estúdio por trás do Changer 7, relembra 20 anos de carreira e aponta o financiamento como o maior entrave para transformar um jogo independente em negócio sustentável no Brasil.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

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Da adaptação de Street Fighter para celular até o sonho de um Super Sentai brasileiro

Juno Cecílio não começou fazendo o jogo dos sonhos. Começou emitindo nota fiscal como MEI e adaptando games famosos, como Street Fighter, X-Men, LEGO e Rocky Balboa, para telas de celular. Foram cerca de 20 anos de trajetória até chegar à Gixer Entertainment, estúdio brasileiro fundado por ele há cerca de dois anos que hoje desenvolve o Changer 7, jogo de ação inspirado em tokusatsu e Super Sentai, ambientado no Brasil, com participação do produtor japonês Katsuhiro Harada. Em entrevista ao Olhar Digital, Cecílio fez um raio-x de como é construir um estúdio de games nacional e por que isso ainda dói tanto no bolso.

O dinheiro continua sendo o vilão

Foto: reprodução/warpzone.me

Se tem uma frase que resume a conversa, é essa: "o principal problema sempre foi dinheiro". Cecílio contou que já viveu negociações arrastadas com publishers nacionais, projetos que simplesmente engavetaram e uma novela de mais de dez anos tentando emplacar em editais públicos, mesmo chegando bem posicionado em pitches. Para quem acompanha a cena indie brasileira, a queixa não é novidade, mas ouvir de alguém com duas décadas de estrada reforça um ponto que a comunidade repete há anos: falta dinheiro paciente e mecanismos de fomento que cheguem de fato a quem faz jogo no Brasil.

Três pernas que sustentam o estúdio

Cecílio defende que um estúdio independente não sobrevive só de ter um jogo bom. Segundo ele, é preciso dominar três frentes ao mesmo tempo: desenvolvimento, negócio e marketing. Dá pra fazer um jogo incrível e ainda assim quebrar por não saber vender, negociar contrato ou se posicionar. É o tipo de lição que só se aprende apanhando, e foi isso que ele levou da fase em que montou equipe pela primeira vez, para tocar um advergame, e teve que aprender na marra gestão de estúdio, contabilidade e sustentabilidade financeira.

O conselho pra quem está começando agora

Para quem sonha em abrir um estúdio hoje, o recado de Cecílio é direto: "lance o menor jogo possível primeiro" e "peça ajuda". Nada de embarcar num projeto megalomaníaco sem testar o próprio processo antes. Ele também insiste em formalizar tudo, contratando advogado e contador desde o início e colocando qualquer acordo no papel, cuidado que faltou em muita história de projeto brasileiro que não decolou.

Changer 7 como vitrine da virada de chave

O Changer 7, hoje carro-chefe da Gixer, é a prova de que a fórmula pode dar certo: a proposta já passa de jogo e mira em mangá, produtos físicos, shows e audiovisual, com Katsuhiro Harada, nome ligado a franquias como Tekken, colaborando no projeto. É um símbolo do que a cena indie brasileira pode alcançar quando consegue furar a barreira do financiamento e transformar know-how técnico em negócio de verdade.

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