Justiça dos EUA dá prazo para Kalshi bloquear apostas em Washington
Multa de US$ 120 mil por dia de atraso pressiona a plataforma de mercados de previsão a implementar geobloqueio até 2 de setembro, depois que a Justiça considerou suas apostas esportivas jogo ilegal no estado.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
A Kalshi tem até 19 de agosto de 2026 para bloquear por IP o acesso de usuários de Washington a apostas em esportes, eleições, política, entretenimento, cultura, tecnologia, ciência e menções — e até 2 de setembro para reforçar esse bloqueio com geolocalização por GPS. Quem perder o segundo prazo paga multa de US$ 120 mil por dia, segundo decisão final de uma juíza do tribunal superior do condado de King, em Washington.
Por que a Justiça bateu o martelo
A decisão confirma uma liminar concedida em julho, na qual a corte já havia entendido que a Kalshi provavelmente violava a Lei de Jogos de Azar e a Lei de Proteção ao Consumidor do estado de Washington, e que a operação causava dano substancial a consumidores. A plataforma se apresenta como uma bolsa de mercados de previsão regulada em nível federal — não como uma casa de apostas —, argumento que já rendeu vitórias legais em outros estados dos EUA, mas que não convenceu a Justiça de Washington neste caso.
O que fica de fora
A ordem não afeta contratos ligados a commodities, clima, economia ou finanças — só os mercados equiparados a apostas esportivas e de entretenimento. É um recorte que mostra a linha tênue em que empresas como a Kalshi operam: o mesmo produto, um contrato que paga se um evento acontecer, pode ser tratado como instrumento financeiro legítimo ou como aposta ilegal, dependendo do tema do contrato e do estado.
Quem ganha e quem perde
Washington sai como o estado mais duro até agora contra o modelo da Kalshi, que vem tentando se posicionar como rival direta de casas de apostas tradicionais e da concorrente Polymarket. Para a Kalshi, cumprir a ordem significa fatiar seu produto por estado — um retrabalho técnico e jurídico caro. Para outros estados que observam o caso, a decisão vira precedente sobre até onde vai a proteção federal alegada pela empresa.