
Kaspersky acha ataques DDoS à venda por US$ 30 na dark web
Pesquisa da Kaspersky mapeou mais de 256 mil publicações e encontrou 148 vendedores de ataques DDoS, com preços a partir de US$ 30 e assinaturas de ferramentas por valores ainda menores.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Uma pesquisa da Kaspersky, fabricante de antivírus e referência em investigação de ameaças digitais, mostrou que ataques de negação de serviço (DDoS) — aqueles capazes de tirar sites e aplicativos do ar sobrecarregando seus servidores — estão sendo vendidos na dark web e na deep web por valores a partir de US$ 30 (cerca de R$ 162). Em casos de contratação direta, o preço pode variar de US$ 30 a US$ 2 mil, dependendo do alvo, da duração do ataque e dos recursos oferecidos. Um ataque de um dia custa em média US$ 100, e um de uma semana sai por cerca de US$ 500.
Além da contratação de ataques sob encomenda, também é possível assinar ferramentas que automatizam esse tipo de ataque — o chamado "DDoS-as-a-Service" —, com preços que vão de US$ 1 a US$ 30 mil. Ataques curtos, de 1 a 10 minutos, custam em média US$ 20 nesse modelo de assinatura.
Foto: reprodução/business-it.pt
O levantamento, divulgado em 26 de outubro de 2026, analisou mais de 256 mil publicações relacionadas a DDoS em fóruns da dark e deep web e identificou 148 agentes que vendem esse tipo de serviço, alguns ativos há mais de uma década. Do total analisado, 65% anunciam os serviços em fóruns cibercriminosos, enquanto 35% usam Telegram e Discord — e 27% dos agentes oferecem ferramentas via bots automatizados no próprio Telegram. A pesquisa também mapeou os tipos de ataque mais vendidos: 92% dos agentes oferecem ataques na camada de aplicação (L7), 74% trabalham com técnicas de camada de rede (L4) e apenas 9% citam métodos de camada 3 isolados.
Quem é afetado
O baixo custo de entrada torna esse tipo de ataque acessível a praticamente qualquer pessoa com intenção de prejudicar um concorrente, se vingar de uma empresa ou simplesmente causar transtorno. Isso coloca em risco sites de comércio eletrônico, aplicativos, portais de notícias, serviços financeiros e qualquer negócio que dependa de disponibilidade online constante — pequenas e médias empresas incluídas, já que não é preciso ter conhecimento técnico avançado para contratar um ataque pronto.
O que fazer agora
Não há motivo para pânico, mas o alerta da Kaspersky reforça a importância de medidas preventivas antes que um ataque aconteça:
- Contratar serviços de mitigação de DDoS (como CDNs e provedores com proteção anti-DDoS nativa) antes que um ataque ocorra, não depois.
- Monitorar continuamente o tráfego do site ou aplicativo para identificar picos anormais com antecedência.
- Manter planos de resposta a incidentes atualizados e testados, com responsáveis definidos para agir rapidamente.
- Diversificar a infraestrutura (balanceamento de carga, múltiplos servidores) para reduzir o impacto de um pico de tráfego malicioso.
- Capacitar as equipes de segurança com inteligência de ameaças atualizada, já que os métodos de ataque evoluem e migram entre fóruns, Telegram e Discord.
O recado principal da pesquisa é que o acesso a ferramentas de ataque está cada vez mais barato e fácil — o que exige que a proteção também esteja sempre um passo adiante.