
KC-390 passa teste e Brasil avança no transporte do satélite Amazônia 1B
Simulação em São José dos Campos confirmou que o avião de transporte militar da Embraer pode levar o satélite do Inpe até a Guiana Francesa, de onde ele deve ser lançado em 2027 pelo foguete europeu Vega-C.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Pra escala humana: estamos falando de um satélite de mais de 7 toneladas que, embalado dentro de um contêiner de proteção, vira uma carga de 13 toneladas. É esse pacote que o Brasil precisa levar da fábrica, em São José dos Campos (SP), até a base de lançamento na Guiana Francesa, e foi exatamente isso que acabou de ser testado.
O que já está confirmado
Uma simulação realizada no aeroporto de São José dos Campos comprovou que o KC-390, avião de transporte militar produzido pela Embraer e operado pela Força Aérea Brasileira, é capaz de carregar o contêiner com o satélite Amazônia 1B. A aeronave tem capacidade para até 26 toneladas de carga, bem acima das 13 toneladas do conjunto satélite mais estrutura de proteção. Esse teste prático era o passo que faltava para validar o avião como meio de transporte até a plataforma de lançamento.
O satélite em si é desenvolvido pelo Inpe, instituto federal responsável por monitorar o território brasileiro por satélite, e é a segunda geração do programa Amazônia — o primeiro exemplar, o Amazônia-1, foi lançado da Índia em fevereiro de 2021. A nova versão mantém a função de captar imagens da superfície terrestre, mas ganha um instrumento extra: um sensor de reflectometria de sinais de navegação GNSS, tecnologia que usa o sinal de satélites de posicionamento refletido na superfície para extrair dados ambientais, como umidade do solo.
O que ainda é plano
Com o transporte interno validado, o próximo passo, ainda não executado, é levar o satélite até a Guiana Francesa, de onde deve ser lançado ao espaço. Segundo o Inpe, o embarque do equipamento para a base de lançamento está previsto para 2027, com decolagem em Kourou e o satélite posto em órbita pelo foguete europeu Vega-C, da Arianespace, contratado pelo instituto brasileiro para a missão.
Vale separar bem as duas pontas da história: o voo de teste do KC-390 já aconteceu e teve resultado positivo, mas a viagem real até a Guiana Francesa e o lançamento propriamente dito seguem como cronograma, sujeitos, como qualquer missão espacial, a ajustes de data.