tech & talk
MercadoIA09 de out. de 2026, 11:05

Khosla aposta na Wajo: agente de IA que contrata humanos

Vinod Khosla diz que a Wajo vai vencer a corrida dos agentes de IA apostando em confiança, não em escala. Startup de ex-engenheira do DeepMind cresceu 10x em um mês e já opera em 107 países.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

O número que importa: 10x em um mês

A Wajo, startup de agentes de inteligência artificial fundada pela ex-engenheira do Google, Meta e DeepMind (laboratório de pesquisa em IA do Google) Shivani Poddar, multiplicou por dez sua base de uso desde o lançamento, no fim de setembro de 2026, e hoje opera em 107 países. O crescimento chamou a atenção de Vinod Khosla, fundador da Khosla Ventures, fundo de capital de risco que investe em tecnologia e apoia a empresa desde o início.

Em entrevista ao TechCrunch, Khosla cravou a tese que sustenta a aposta: "Acho que a coisa mais importante em um agente, porque ele age em seu nome, é a confiança (...) a Wajo é a mais confiável porque foi arquitetada para focar em confiança e segurança antes de tudo."

O produto: um agente que terceiriza para humanos

O agente da Wajo, batizado de Fo, funciona dentro de iMessage, WhatsApp e em um painel web, executando tarefas como agendamentos, compra de presentes e burocracias do dia a dia ("life admin"). Ele faz ligações telefônicas em nome do usuário, cria um cartão de crédito virtual para pagar sem expor dados pessoais e tem e-mail próprio. O diferencial citado pela startup: quando o Fo não consegue concluir uma tarefa sozinho, ele contrata um assistente humano para terminar o serviço.

Em testes do mundo real reportados por veículos do setor, o Fo teve taxa de sucesso de 71% em 104 tarefas (cada uma repetida três vezes) — número superior aos 42% atribuídos ao agente concorrente OpenClaw, uma melhora relativa de cerca de 69%. Em checagens de segurança, que avaliaram se o agente contataria terceiros sem autorização ou vazaria dados privados, o Fo passou em 94% dos casos.

Quem ganha e quem perde

O aval de Khosla — que já investe na empresa e tem entre seus pares de aporte nomes como Jeff Dean e Gokul Rajaram — funciona como validação pública num mercado lotado de agentes genéricos. Para a Wajo, a narrativa de "confiança antes de escala" é também posicionamento comercial: diferencia o Fo de rivais que priorizam amplitude de tarefas em detrimento de controles de segurança.

Quem perde atenção no curto prazo são concorrentes como o citado OpenClaw, que aparece nos comparativos com desempenho inferior. Mas o teste decisivo ainda está por vir: a Wajo não divulgou valores de aporte ou avaliação, e o mercado de agentes de IA segue sem um padrão consolidado de confiabilidade — a aposta de Khosla é que a Wajo chega lá primeiro.

wajovinod khoslaagentes de iadeepmindventure capital
Compartilhar