
Kindle Scribe 3: a caneta me reconquistou, mas o Paperwhite continua no bolso
Depois de duas semanas escrevendo à mão no novo Kindle Scribe, da Amazon, o hábito do papel virou digital — mas o e-reader não substitui o Paperwhite para ler fora de casa.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Uma semana redescobrindo o hábito de escrever à mão
Confesso que fui cético antes mesmo de ligar o aparelho. Um Kindle maior, com caneta, parecia mais um acessório de nicho do que algo que eu fosse realmente usar todo dia. Isso mudou rápido. Depois de duas semanas testando o novo Kindle Scribe, da Amazon, em anotações de reunião, listas de ideias e até rascunhos de texto, percebi que o que a empresa entregou não é um leitor digital com caneta — é um caderno que também lê livros.
A caneta que convenceu
Foto: reprodução/canaltech.com.br
A Premium Pen que acompanha o aparelho não precisa de bateria e fica presa magneticamente na lateral, pronta para usar sem cerimônia. O traço na tela imita bem a sensação de escrever no papel, e o sistema reconhece a palma da mão apoiada sem registrar rabiscos indesejados — um detalhe que faz toda diferença para quem escreve rápido. Também dá para selecionar trechos manuscritos, mover parágrafos inteiros e reorganizar cadernos sem medo de estragar a anotação, algo que o papel de verdade nunca vai oferecer.
O que mudou desde a geração anterior
Nesta terceira geração, a Amazon promete resposta até 40% mais rápida na escrita e na virada de páginas, além de um corpo mais fino, de 5,4 mm. Não lembro dos detalhes exatos da primeira versão que testei anos atrás, mas o ganho de fluidez é perceptível no uso diário: nada de atraso entre o gesto da caneta e o traço aparecendo na tela. A tela de 11 polegadas em E Ink também segura bem a leitura por longos períodos, sem cansar a vista.
Foto: reprodução/cartacapital.com.br
Por que ele não aposentou meu Paperwhite
Aqui está o ponto central: mesmo gostando muito da experiência de escrita, não abri mão do meu Kindle Paperwhite. Com cerca de 400 gramas, o Scribe é pesado e maior demais para carregar na bolsa ou ler deitado no sofá — a ergonomia das bordas incomoda em sessões longas sem apoio. Para ler um romance no ônibus, o Paperwhite ainda ganha fácil. A bateria do Scribe, por outro lado, impressiona: depois de duas semanas de uso intenso, ainda sobravam 19% de carga, dentro da promessa de até 12 semanas em modo leitura ou três semanas escrevendo.
Vale o preço no Brasil?
Os preços por aqui não são baixos: R$ 2.499 pela versão de 16 GB sem luz frontal, R$ 2.999 pela de 32 GB com luz — a que testei — e R$ 3.899 pela Colorsoft de 64 GB, com tela colorida. É dinheiro considerável para um dispositivo que não substitui um Kindle comum. Mas, se anotar à mão faz parte da sua rotina de estudo ou trabalho, o Scribe entrega uma experiência que nenhum caderno de papel replica, com a vantagem de tudo ficar buscável e sincronizado. Para mim, vale o preço como complemento — não como substituto do Kindle que já uso para ler.