
Kindle sobe 50% no Brasil: de R$ 599 para R$ 899; entenda o motivo
A Amazon confirmou reajuste de até 50% nos preços do Kindle no Brasil, atribuído à alta global nos custos de componentes de memória e armazenamento. O movimento abre espaço para concorrentes como Kobo e marcas de entrada ganharem mercado.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
R$ 300 a mais no mesmo aparelho
O Kindle básico de 16 GB, 11ª geração, saiu de R$ 599 para R$ 899 no Brasil — uma alta de 50%. Não foi um caso isolado: a Amazon reajustou toda a linha de e-readers no país, com o Kindle Paperwhite 16 GB (12ª geração) subindo de R$ 849 para R$ 1.149, e as versões Signature Edition e Colorsoft chegando a R$ 1.349 e R$ 1.749, respectivamente. O reajuste, identificado no fim de agosto de 2026, também atingiu outros produtos de hardware da Amazon no Brasil, como Echo e Fire TV.
Por que subiu
Foto: reprodução/canaltech.com.br
Segundo a Amazon, a justificativa é o aumento global nos custos de componentes de memória e armazenamento — as mesmas peças usadas em smartphones, notebooks e data centers. A empresa afirmou ter absorvido esses custos internamente por um período antes de repassá-los ao consumidor, e fez questão de frisar que o movimento reflete uma pressão de mercado global, não a inflação brasileira isoladamente. Um fator citado é a demanda crescente por infraestrutura de inteligência artificial, que tem pressionado o preço de chips de memória em todo o mundo — o mesmo tipo de componente usado nos e-readers.
Quem ganha e quem perde com o Kindle mais caro
O Kindle é, disparado, o e-reader mais vendido do Brasil, e a alta de 50% muda a equação de compra para quem estava de olho no aparelho de entrada. Com o modelo básico batendo R$ 899, opções mais baratas ganham força: o Kobo Clara BW, e-reader concorrente da fabricante canadense Kobo, fica na faixa de R$ 800 a R$ 1.300 dependendo da versão, praticamente empatando com o Kindle básico agora mais caro. Marcas de entrada como Xteink, com modelos a partir de R$ 320, e PocketBook, entre R$ 690 e R$ 718, também tendem a ganhar espaço entre quem busca só uma tela E Ink sem pagar o preço de uma marca consolidada.
O risco para a Amazon é migrar parte do público mais sensível a preço para esses concorrentes, ou mesmo empurrar consumidores para o improviso — usar o próprio tablet como leitor, alternativa que já vem sendo sugerida por veículos de tecnologia como resposta ao novo patamar de preço do Kindle no país.