
Kushner compra ADT por US$ 7,6 bi e tira gigante dos alarmes da bolsa
A Thrive Holdings, de Joshua Kushner, vai pagar US$ 10 por ação para fechar a ADT, prêmio de quase 46% sobre o valor de mercado. Negócio all-cash deve fechar só no início de 2027.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 10,00 por ação, 46% de prêmio
É esse o número que resume o negócio: a Thrive Holdings, holding de investimentos permanentes ligada a Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump, vai pagar US$ 10,00 em dinheiro por cada ação da ADT, empresa americana de monitoramento de alarmes e segurança residencial. O valor representa um prêmio de cerca de 45,6% sobre o fechamento de US$ 6,87 que a ação tinha em 27 de outubro, e avalia a companhia em aproximadamente US$ 7,6 bilhões em equity — ou cerca de US$ 15,3 bilhões somando a dívida assumida. É transação all-cash, sem troca de ações, o que elimina o risco de diluição para quem vende e dá à Thrive controle total e imediato depois do fechamento.
Quem é a compradora
A Thrive Holdings não é a Thrive Capital, a gestora de venture capital mais conhecida de Kushner — é um braço diferente, dedicado a comprar e operar negócios maduros em setores como contabilidade, serviços de TI e construção civil, com mais de 75 empresas no portfólio. A lógica declarada é que a ADT, dona de uma base gigantesca de clientes com receita recorrente de monitoramento e serviços de casa inteligente, é um "negócio difícil de replicar". Uma fonte ligada ao acordo disse à Reuters que o maior potencial de ganho está em usar inteligência artificial para reduzir alarmes falsos e identificar equipamentos com defeito antes que falhem — um uso bem mais operacional do que especulativo para a tecnologia.
Quem ganha, quem sai de cena
Os acionistas da ADT levam o prêmio na mesa: o conselho da empresa aprovou o acordo por unanimidade, e o salto de mais de 30% no preço da ação no dia do anúncio mostra que o mercado não esperava uma oferta tão generosa. Quem perde visibilidade é o próprio mercado de capitais: ao se tornar privada, a ADT deixa de publicar resultados trimestrais e passa a operar sob as regras — e a paciência — de um dono só, sem pressão de analistas de curto prazo.
O calendário é o detalhe que trava o negócio
O fechamento está previsto apenas para o primeiro trimestre de 2027, mais de um ano de distância do anúncio. Falta aprovação dos acionistas da ADT e, principalmente, liberação antitruste nos Estados Unidos — etapa que pode ainda introduzir ruído num negócio que, por ora, tem data marcada mas não tem certeza.
Atualização (29/10, 22:08): Atualização (29/10): Os dois valores divulgados sobre a compra da ADT, US$ 7,6 bilhões e US$ 15,3 bilhões, não se contradizem: são métricas diferentes do mesmo negócio. Segundo a TechCrunch e a Axios, a Thrive Holdings vai pagar US$ 10 por ação da ADT em dinheiro, o que equivale a um valor de equity (o que os acionistas recebem) de aproximadamente US$ 7,6 bilhões. Já o enterprise value do negócio, que soma o equity à dívida líquida assumida da ADT, chega a US$ 15,3 bilhões, a cifra usada pela maior parte da imprensa internacional para descrever o tamanho total da transação.
Também vale a correção de nome: quem está por trás da compra é a Thrive Holdings, veículo de investimento permanente ligado a Josh Kushner, fundador da Thrive Capital, e não Jared Kushner. A OpenAI entra no negócio como parceira e investidora da Thrive Holdings, fornecendo modelos de IA e equipes de engenharia às empresas do portfólio da gestora, que hoje reúne mais de 75 companhias.
Sobre o plano para os alarmes residenciais, a TechCrunch confirma que a ADT vai se tornar a base do novo negócio de segurança doméstica inteligente da Thrive Holdings, com promessas de investimento e lançamento de novos produtos equipados com IA, ainda sem detalhes técnicos divulgados. O acordo foi aprovado pelo conselho da ADT e tem fechamento previsto para o primeiro trimestre de 2027, quando a empresa deixará a bolsa de valores de Nova York.