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Mercado15 de ago. de 2026, 18:10

Kushner, da Thrive, avisa VCs: 'euforia com IA não pode enfraquecer disciplina'

Em sua primeira carta formal a investidores, Joshua Kushner, fundador da Thrive Capital, diz que seria 'um erro grave' deixar o entusiasmo com IA comprometer a disciplina de investimento — enquanto seu fundo de 2022, de US$ 516 milhões, hoje vale mais de US$ 3,7 bilhões.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: US$ 3,7 bilhões

O fundo early-stage de 2022 da Thrive Capital, que levantou US$ 516 milhões e apostou cedo em OpenAI, SpaceX e Anduril, valia mais de US$ 3,7 bilhões ao final de junho de 2026. É esse desempenho que dá a Joshua Kushner, fundador da gestora nova-iorquina, autoridade para fazer o que fez: usar sua primeira carta formal a investidores para cutucar os pares do Vale do Silício.

"É difícil exagerar a magnitude da oportunidade" em torno da inteligência artificial, escreveu Kushner, segundo carta obtida pela Bloomberg. Mas, completou, "seria um erro grave deixar o entusiasmo enfraquecer nossa disciplina de investimento".

Concentração contra o dogma dos 'outliers'

A crítica implícita mira a tese clássica do venture capital do Vale do Silício — associada a Marc Andreessen, da a16z — de que o negócio é feito de apostas de baixa precisão em massa, na expectativa de que um punhado de outliers pague por todas as perdas. A Thrive faz o oposto: cerca de 90% do capital de cada fundo vai para os 15 principais investimentos, segundo estimativa da Bloomberg.

Com US$ 60 bilhões sob gestão, a gestora reporta TIR bruta de 41% e líquida de 33% em todos os fundos, além de mais de US$ 1 bilhão em liquidez devolvida a investidores nos últimos 12 meses — com promessa de "bilhões adicionais" nos próximos trimestres, turbinada por eventos como o IPO da SpaceX e uma possível abertura de capital da OpenAI.

Quem ganha: a aposta concentrada em OpenAI

A OpenAI é hoje o maior investimento da Thrive e também virou sócia da gestora: em dezembro de 2025, a startup de Sam Altman adquiriu participação na Thrive Holdings, braço que compra empresas tradicionais para reestruturá-las com IA — já são mais de 70 aquisições, com apoio de uma equipe de 35 engenheiros dedicados. Completam o portfólio nomes como Anduril, SpaceX, Wiz, Ramp, Stripe e Cursor.

Quem perde: o playbook disperso do Vale do Silício

A mensagem de Kushner soa como recado direto às gestoras que multiplicam cheques em rodadas infladas de IA sem produto ou receita à altura do valuation. Ao posicionar a concentração disciplinada como vantagem competitiva — e não risco —, a Thrive tenta se diferenciar num ciclo em que o dinheiro fácil para qualquer startup com "AI" no nome já preocupa até investidores que lucraram com a euforia.

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