
Lachy Groom aposta US$ 2,5 milhões em avião que quer voar 1 ano sem pousar
Startup indiana Alteon, fundada por um jovem de 20 anos, levantou rodada pré-seed liderada pelo investidor Lachy Groom para desenvolver aeronaves autônomas que extraem energia do vento sobre o oceano.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 2,5 milhões para reinventar o tempo de voo
US$ 2,5 milhões. É esse o valor da rodada pré-seed que a startup indiana Alteon acaba de fechar, liderada pelo investidor Lachy Groom, com participação do Together Fund. O cheque é pequeno para os padrões do setor aeroespacial, mas simboliza uma aposta ousada: manter uma aeronave no ar por mais de um ano, sem depender de combustível ou baterias tradicionais.
A empresa foi fundada por Samay Sanghvi, de apenas 20 anos, que começou a trabalhar no projeto assim que terminou o ensino médio, em 2023. A Alteon só foi formalmente constituída em 2025. Sediada em Bengaluru, na Índia, a startup já emprega 20 pessoas.
Foto: reprodução/ua.news
A tecnologia por trás da promessa
O diferencial da Alteon está no chamado "dynamic soaring" (voo dinâmico), técnica inspirada no comportamento de albatrozes, que aproveitam o cisalhamento do vento sobre o oceano para ganhar energia sem bater as asas. A aeronave de asa fixa, com envergadura de cerca de 3 metros, alterna entre camadas de ar com velocidades diferentes para colher energia eólica continuamente.
Em testes recentes sobre a Baía de Bengala, a aeronave completou sete ciclos autônomos em formato de "O", voando a mais de 62 milhas por hora (cerca de 100 km/h) e a apenas 1 metro da superfície da água. A empresa afirma ter realizado mais de 200 voos de teste nos últimos 30 dias.
O que está em jogo
O objetivo declarado é alcançar o "energy-neutral dynamic soaring", ou seja, voo contínuo com propulsão desligada, permitindo que a aeronave permaneça no ar por mais de um ano. Segundo Sanghvi, "depois que você constrói aviões capazes de ficar no ar por mais de um ano, existem milhões de coisas que você pode fazer". A aplicação inicial prevista é vigilância marítima.
O valuation da rodada não foi divulgado. Mas o aporte reforça uma tendência: investidores-anjo de peso estão dispostos a financiar founders muito jovens em apostas de deep tech de alto risco — mesmo quando a tecnologia ainda está em fase de protótipo.