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Mercado01 de nov. de 2026, 22:02

Laminado de PCB sobe 12 vezes e ameaça preço de PCs em 2027

A corrida por data centers de IA sequestrou a produção de placas de circuito impresso: prazos de entrega já chegam a 30 meses e o custo do material básico disparou 12 vezes desde julho. Quem fabrica PC de consumo está na fila de trás.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

Doze vezes. Foi quanto subiu o preço do laminado revestido de cobre (CCL) — a matéria-prima que dá origem a qualquer placa de circuito impresso — desde julho, segundo fabricante taiwanês de PCs ouvido pelo Nikkei Asia e reproduzido pelo Canaltech. Para quem pedir uma placa nova agora, o prazo de entrega já passa de 30 meses, com pedidos represados até 2030. Quem fizer a encomenda hoje só vê o produto em 2028.

Por que isso está acontecendo

Foto: reprodução/tomshardware.com

A culpa é da construção acelerada de data centers de IA, que consome PCBs de alta complexidade — com três a cinco vezes mais camadas do que uma placa-mãe de PC convencional. Cada camada extra devora laminado e cobre, e os grandes fabricantes de semicondutores e provedores de nuvem estão pagando mais para furar a fila. O resultado é a clássica dinâmica de gargalo: capacidade que antes atendia PCs, notebooks e eletrônicos de consumo foi redirecionada para servidores de IA, e quem fica de fora da prioridade — os fabricantes de PC tradicionais — enfrenta dificuldade para garantir suprimento.

Quem ganha e quem perde

Quem ganha é a cadeia que serve diretamente a infraestrutura de IA: fornecedores de laminado e de PCB para servidores estão com os livros de pedidos cheios até o fim da década e já anunciam planos de expansão — um dos principais players do setor projeta triplicar capacidade até 2028, ainda que isso não resolva o problema no curto prazo. Já quem perde é toda a cadeia de PC de consumo: fabricantes de placas-mãe e de componentes gráficos pagam mais caro pelo mesmo insumo e brigam por uma fração cada vez menor da capacidade disponível.

O que vem a seguir

Se o gargalo de CCL persistir — e os relatos indicam que fornecedores já têm pedidos alocados até 2030 — a conta tende a chegar ao consumidor final em forma de PCs, notebooks e placas gráficas mais caros nos próximos anos. O episódio reforça um padrão que já apareceu antes em memória e em GPUs: quando a demanda por infraestrutura de IA bate de frente com a demanda por eletrônicos de consumo, é o consumidor comum que sobra no fim da fila — e no preço mais alto.

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