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Smart Cities25 de ago. de 2026, 12:20

Las Vegas inaugura BRT de US$ 378 milhões para tirar carro da rua

A Red Line percorre 7,3 milhas com ônibus a hidrogênio, faixas exclusivas e ciclovias, prometendo cortar em 20% o tempo de viagem. O projeto levou quase dois anos de obras — e a conta foi paga com verba federal, local e imposto sobre vendas.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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A pergunta de sempre: quanto custou e quem pagou

Las Vegas abriu no dia 23 de agosto sua nova linha de ônibus de trânsito rápido, a Red Line, ao longo dos 7,3 milhas (cerca de 11,7 km) da Maryland Parkway. A obra saiu por US$ 378 milhões — algo em torno de R$ 2 bilhões — bancados por uma combinação de recursos federais, verba local e imposto sobre vendas. É o tipo de detalhe que raramente aparece nas fotos de inauguração, mas que todo cidadão deveria cobrar: quanto do bolso público foi para lá, e quanto vai custar manter isso rodando nos próximos 20 anos?

O que muda na rua

A Regional Transportation Commission of Southern Nevada (RTC), responsável pelo projeto, promete que o novo corredor reduz em cerca de 20% o tempo de viagem em relação à antiga Rota 109, com ônibus passando a cada 12 minutos durante o dia. Os veículos de 60 pés (18 metros) rodam com célula de combustível a hidrogênio, ou seja, emissão zero no cano de descarga — um detalhe que qualquer prefeito brasileiro às voltas com frota de ônibus a diesel adoraria copiar, mas que exige uma cadeia de abastecimento de hidrogênio que ainda não existe por aqui.

Além das faixas exclusivas e compartilhadas para ônibus e bicicleta, o projeto ampliou calçadas de 5 para 10 pés (de 1,5 para 3 metros) na maior parte do trajeto e plantou árvores nos dois lados da via — resposta direta ao calor de Las Vegas, mas também queixa recorrente em cidades brasileiras com calçadas estreitas e zero sombra.

Vale a pena?

Segundo a RTC, o corredor atende hoje 63 mil moradores e 109 mil empregos, com cerca de 35 mil veículos circulando diariamente pela via. A demanda por ônibus já gira em torno de 9 mil passageiros por dia durante as obras, com projeção de chegar a 13 mil por dia em 2040.

Comparando com o Brasil

Cidades como Curitiba, pioneira mundial em BRT desde os anos 1970, e mais recentemente Belo Horizonte e Rio de Janeiro, mostram que faixa exclusiva bem sinalizada e frequência confiável fazem mais pela mobilidade do que qualquer obra suntuosa. A diferença é que em Las Vegas o projeto teve prazo e orçamento divulgados publicamente desde o início — vale perguntar se as obras de mobilidade nas capitais brasileiras têm o mesmo nível de transparência sobre prazo, custo e quem fiscaliza a execução.

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