
Leapmotor elimina bateria de 12V dos carros com tecnologia CTC 3.0
Montadora chinesa controlada em parte pela Stellantis apresentou no Tech Day 2026 um sistema que aposenta a bateria auxiliar presente nos carros há mais de 70 anos. Mudança começa a valer em modelos de 2027.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O fim de um componente com 70 anos de história
A Leapmotor, fabricante chinesa de veículos elétricos que tem a Stellantis como acionista relevante, anunciou no Tech Day 2026, em Hangzhou, a eliminação da bateria auxiliar de 12V em seus futuros modelos. A novidade vem com a terceira geração da tecnologia Cell-to-Chassis, batizada de CTC 3.0, que integra os sistemas de alta e baixa tensão do carro em uma única estrutura, compartilhando células, módulos e gerenciamento térmico.
A bateria de chumbo-ácido de 12V é usada pela indústria automotiva há mais de sete décadas para alimentar itens como iluminação, limpadores de para-brisa, airbags e telas de infotainment. Segundo a Leapmotor, o novo sistema aumenta em sete vezes a capacidade do circuito de baixa tensão em relação à geração anterior, o suficiente para replicar a função da bateria auxiliar sem precisar dela fisicamente no veículo.
Foto: reprodução/cnbc.com
Por que isso importa pro mercado
A decisão se encaixa na nova arquitetura veicular da marca, chamada LEAP 5.0, que promete aproveitar 100% do espaço da plataforma, com ganho de 19% em espaço longitudinal, redução de 18% no número de componentes e corte de 30% no volume de tubulações do carro. Menos peças significa menos pontos de falha e produção mais simples — um objetivo comum entre fabricantes que buscam reduzir custo e peso dos veículos elétricos.
Quem sai ganhando de imediato são as próprias montadoras: menos um componente para fabricar, estocar e substituir ao longo da vida útil do carro. A Leapmotor afirma que a adoção ampla da CTC 3.0 poderia poupar a produção de dezenas de milhões de baterias de chumbo-ácido por ano, além de acabar com a manutenção periódica desse item para o proprietário.
Quem precisa se adaptar
A mudança também impõe desafios à cadeia de pós-venda. Redes de concessionárias e oficinas, historicamente acostumadas a testar, recarregar e substituir baterias de 12V como rotina de manutenção, vão precisar se requalificar para lidar com uma arquitetura elétrica totalmente integrada — o que exige equipamento de diagnóstico e treinamento técnico diferentes dos usados hoje.
A Leapmotor é controlada parcialmente pela Stellantis, grupo dono de marcas como Fiat, Jeep e Peugeot, que detém uma participação acionária na fabricante chinesa e comanda a joint venture responsável por exportar os carros da marca para fora da China. Essa ligação deve acelerar a chegada da tecnologia a mercados além do chinês, incluindo os atendidos pela rede de distribuição da Stellantis.
O que vem a seguir
Segundo a Leapmotor, a implementação da CTC 3.0 começa de forma gradual, com os primeiros modelos equipados com a tecnologia previstos para chegar a partir de 2027, já combinados à arquitetura LEAP 5.0. Ainda não há confirmação sobre quais mercados receberão esses veículos primeiro, nem se a tecnologia chegará a modelos vendidos no Brasil.