
Legato sai do stealth com US$ 12 milhões e óculos que funcionam como aparelho auditivo
A startup Legato revelou o Legato Frames, óculos que escondem tecnologia de assistência auditiva nas hastes, após captar US$ 12 milhões com Neotribe Ventures, Listen e Village Global.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 12 milhões para tirar o estigma do aparelho auditivo
A Legato saiu do modo stealth nesta semana com uma rodada de US$ 12 milhões nas mãos e um produto que aposta em disfarçar tecnologia médica dentro de um acessório do dia a dia: óculos. A rodada foi liderada por Neotribe Ventures, com participação de Listen e Village Global — nomes que já circulam entre apostas em wearables e saúde de consumo.
O produto que justifica o cheque é o Legato Frames, óculos com sistema de assistência auditiva patenteado embutido nas hastes. A proposta é simples de entender e difícil de executar: dois alto-falantes com cancelamento de som capazes de reduzir vazamento de áudio em até 99% a poucos centímetros de distância, enquanto um sistema de IA separa ruído de fundo das vozes que importam, amplificando só a conversa.
Quem ganha: quem despreza o estigma do aparelho auditivo
O público-alvo é a fatia de pessoas com perda auditiva leve a moderada que evita aparelhos tradicionais por causa do estigma ou do custo. É um mercado que outras empresas, como a Nuance Audio, já tentam capturar com a mesma tese de "esconder a tecnologia à vista de todos". A Legato, no entanto, chega com um time que conhece o parque de hardware de áudio por dentro: os cofundadores Mehul Trivedi e Steve Romine passaram por Bose, EssilorLuxottica e Meta Ray-Bans — Trivedi liderou a criação dos Bose Frames originais, enquanto Romine comandou a divisão de aparelhos auditivos da Bose e foi COO da Audicus.
O que vem a seguir
O lançamento está previsto para o outono do hemisfério norte de 2026, com distribuição via provedores oftalmológicos selecionados — não em prateleira de farmácia. A empresa promete cobrar uma fração do preço de um aparelho auditivo convencional, e já namora a possibilidade de entrar em planos de cobertura de seguros de visão, o que ampliaria e muito o alcance comercial do produto.
A fundação da empresa remonta a fins de 2024, o que significa quase dois anos de desenvolvimento silencioso antes do anúncio público — tempo compatível com o ciclo de aprovação regulatória e miniaturização de componentes que esse tipo de hardware exige. Para investidores, a aposta é que a categoria de "óculos com super-audição" vire o próximo mercado de bilhões que a indústria de wearables tanto busca desde os fones com cancelamento de ruído.