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Games18 de ago. de 2026, 01:35Atualizada em 18 de ago. de 2026, 16:54

Lesões no eSports reacendem debate: jogador é atleta ou funcionário?

Estudos no Brasil e nos EUA mostram que a maioria dos jogadores profissionais sofre com fadiga ocular e dores em punho e pulso — mas só 2% procura atendimento médico.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

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O corpo também joga

Quem acompanha eSports de fora vê reflexo rápido e decisão em milissegundos. Quem está dentro sabe que o corpo cobra a conta depois. Um estudo publicado na BMJ Open Sport & Exercise Medicine, com 65 jogadores profissionais nos Estados Unidos, encontrou fadiga ocular em 56% dos atletas e dores no pescoço e nas costas em 42%. Dor no punho apareceu em 36% dos casos, e na mão, em 32%.

No Brasil, o cenário se repete com outra cara. Uma pesquisa publicada na Scientific Reports, com 365 jogadores, achou 28,49% com dor no punho, 20% nas costas, 18,35% nas mãos e 15,89% nos dedos. No total, quase um terço dos jogadores (30,96%) relatou algum tipo de lesão nos últimos 12 meses.

Por que isso acontece

Os dois estudos apontam para a mesma origem: repetição. Um jogador competitivo faz entre 500 e 600 movimentos por minuto durante 5 a 10 horas de treino por dia, muitas vezes em posturas incorretas e travadas na cadeira. Some a isso a exposição prolongada à luz azul das telas (entre 400 e 490 nanômetros) e o resultado é uma lista de sintomas que vai de visão embaçada a síndrome do túnel do carpo.

Time procura médico, mas o jogador nem sempre

Aqui está o dado que devia incomodar organizações e patrocinadores: apenas 2% dos jogadores que relataram dor procuraram atendimento médico. Para o médico Konidis, da Mayo Clinic, e para Vitor Kenji, um dos primeiros fisioterapeutas dedicados a eSports no Brasil desde 2020, o problema é estrutural — poucas equipes têm profissional de saúde fixo, diferente do que já é padrão em esportes tradicionais.

Atleta ou funcionário?

É essa lacuna que alimenta o debate que dá nome à pauta: se o jogador é tratado como atleta, ele deveria ter direito a acompanhamento médico, fisioterapia e prevenção de lesão, como em qualquer modalidade olímpica. Se é tratado como funcionário de uma empresa de entretenimento, valem as regras trabalhistas comuns — nem sempre pensadas para lesão por esforço repetitivo. Times e ligas ainda não deram uma resposta uniforme, e é o jogador quem sente a diferença no consultório.

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