
Levantamento aponta xingamento racista ou homofóbico em 17% das partidas de CS2
Ferramenta batizada de Slur Tracker analisou quase 225 mil partidas e 495 mil jogadores para medir a frequência de discurso de ódio no chat do jogo.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
O que o levantamento mediu
Um serviço independente de rastreamento de chat, batizado de "Slur Tracker", cruzou dados públicos de partidas de CS2 para tentar dimensionar um problema que qualquer jogador do game já sentiu na pele: quanto do chat de voz e texto é tomado por xingamento racista ou homofóbico. O resultado: 17,6% das partidas analisadas — cerca de uma em cada seis — registraram algum tipo de ofensa desse tipo.
A amostra não é pequena. Foram quase 225 mil partidas e 495 mil jogadores únicos rastreados, com mais de 5,5 milhões de mensagens de chat processadas. Entre os jogadores medidos, mais de 7% (cerca de 34 mil pessoas) usaram algum termo ofensivo catalogado pela ferramenta em algum momento.
Os números por trás da porcentagem
A proporção de mensagens individuais com esse tipo de conteúdo é menor — pouco mais de 2%, ou uma a cada 48 mensagens —, o que ajuda a entender a diferença entre "quantas partidas têm o problema" e "quanto do volume total de chat é ofensivo". Ainda assim, projetando esse ritmo para um ano inteiro, a estimativa chega a 204 milhões de ocorrências rastreadas, incluindo mais de 180 mil variantes de uma slur racial grave por dia.
Vale o adendo de metodologia: por se tratar de um serviço de terceiros usando dados públicos, o "Slur Tracker" não tem o aval oficial da Valve, dona do CS2, e a própria divulgação gerou desconforto — parte da comunidade reclamou de exposição de logs de chat sem consentimento explícito e correu para apagar o próprio histórico.
Um problema conhecido, agora com número
Para quem já passou tempo em partida de matchmaking ou premier, o dado não chega como surpresa — o levantamento só coloca peso estatístico numa percepção antiga da comunidade de CS2. O que fica em aberto é o que a Valve fará com isso: o sistema de reporte e o Trust Factor existem há anos, mas a recorrência apontada pelo estudo sugere que a moderação atual não dá conta do volume. Não é o caso de tratar o dado como alarme definitivo — a metodologia é de terceiros e carece de validação independente —, mas serve como termômetro de que o problema é estrutural, não pontual.