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Ciência13 de set. de 2026, 11:48

Levedura e gelatina viram "concreto" para construir em Marte

Pesquisadores de Hong Kong imprimiram em 3D um material biológico com rocha marciana simulada, gelatina e levedura modificada — resistente, mas ainda distante de erguer uma casa real.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: uma cúpula do tamanho de uma xícara

O protótipo testado em laboratório mede 45 milímetros de altura por 30 milímetros de largura — do tamanho de uma xícara de café. É a partir desse modelo em miniatura que uma equipe da Hong Kong University of Science and Technology (HKUST), liderada pelo engenheiro civil Jishen Qiu, quer chegar a um material de construção viável para Marte.

O estudo, publicado em 10 de setembro na revista científica Chem Circularity, descreve uma mistura batizada de "Martian Living Building Material" (MLBM): regolito — a poeira e rocha que cobre a superfície marciana, aqui simulada em laboratório —, gelatina como agente aglutinante e uma levedura geneticamente modificada, a mesma Saccharomyces cerevisiae usada em padaria e cerveja, só que alterada para exibir na superfície das células proteínas adesivas inspiradas nas que os mexilhões usam para se colar em rochas.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

O que já foi confirmado

Depois de impressa em 3D, a mistura passa por um processo parecido com a liofilização — o mesmo princípio usado para desidratar alimentos — sob temperatura de -30°C e pressão de 0,01 atmosfera, simulando as condições de Marte. O resultado é uma estrutura porosa que resiste a cerca de 10 a 12 megapascais de compressão, valor comparável ao de um concreto leve, de baixa resistência estrutural — não dá pra erguer um prédio, mas já sustenta protótipos em miniatura testados em laboratório.

Uma vantagem extra, também confirmada em teste: o material é circular. A levedura pode ser recuperada depois que a estrutura é desmontada e "recultivada" em biorreatores para imprimir a próxima peça — sem precisar trazer mais matéria-prima da Terra.

O que ainda é hipótese

Os autores do estudo são claros sobre o estágio da pesquisa: é uma prova de conceito de laboratório, não um material testado nas condições reais de Marte nem em escala de construção real. Transformar essa cúpula de 45 milímetros em uma habitação marciana ainda depende de anos de testes de resistência à radiação e ao pó abrasivo do planeta — etapas que o próprio estudo classifica como distantes. Por enquanto, o que existe é ciência de materiais promissora, não um projeto de arquitetura interplanetária.

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