
LG mantém preço da QNED70 e aposta em Mini LED no Brasil
A LG diz que vai segurar os preços das TVs mesmo com a crise global de chips de memória encarecendo componentes, apostando em Mini LED em toda a linha QNED e no crescimento do LG Channels para ganhar mercado no Brasil.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
LG mantém preço da QNED70 e mira crescimento com Mini LED e canal gratuito no Brasil
A LG apresentou nesta semana o portfólio de TVs 2026 no Brasil apostando em duas frentes para ganhar mercado: expansão da tecnologia Mini LED para toda a linha QNED e crescimento do LG Channels, serviço gratuito de canais por streaming. Diego Oliveira, gerente de televisores da LG Electronics Brasil, afirmou que a fabricante vai tentar segurar os preços mesmo com a crise global de chips de memória encarecendo componentes, reconhecendo que o problema afeta toda a indústria, mas que a empresa diz estar preparada para absorver parte do impacto.
Mini LED em toda a linha QNED
A novidade central da estratégia é a padronização da retroiluminação Mini LED nos três modelos da linha QNED — 85, 80 e 70 —, até então tecnologia reservada aos topos de linha. A QNED70, porta de entrada da série, manteve o preço do ano anterior mesmo com o upgrade de painel, sinal de que a LG está disposta a absorver parte do custo extra dos componentes para não perder competitividade diante de rivais como Samsung, TCL e Hisense, que também têm ampliado suas ofertas de Mini LED e QD-Mini LED no país.
No topo da linha, a OLED Evo C6 herdou o processador Alpha 11 Gen 3 — antes exclusivo da G5 —, com taxa de atualização de 165 Hz e resposta abaixo de 0,1 ms, enquanto a OLED Evo G6 promete brilho bem maior que a geração anterior graças ao Brightness Booster Pro. A linha Mini RGB, por sua vez, chega com cobertura de 100% dos espaços de cor DCI-P3 e Adobe RGB.
Canal gratuito como diferencial de retenção
Do lado de conteúdo, o LG Channels virou peça central do discurso comercial. A plataforma de FAST (streaming gratuito com anúncios) cresceu significativamente em horas assistidas e em dispositivos conectados desde o lançamento no Brasil, em 2024. O país já é um dos maiores mercados do mundo em tempo médio de consumo mensal na plataforma, indicador que a LG usa para justificar o investimento em conteúdo como forma de reter usuário no ecossistema webOS.
Quem ganha e quem perde com a crise de chips
A aposta da LG em segurar preço é também uma tentativa de sair na frente da crise de memória RAM e NAND, que já elevou custos de componentes para toda a cadeia de eletrônicos em 2026, com fabricantes globais priorizando contratos corporativos de data center — mais rentáveis — em detrimento do varejo. Se a fabricante conseguir sustentar esse compromisso, ganha espaço frente a concorrentes que já sinalizam repasse de preço ao consumidor; se não conseguir, o desconto de hoje pode virar reajuste amanhã.