tech & talk
MercadoGadgets13 de ago. de 2026, 19:16

LG mira 20% do mercado de linha branca com fábrica de R$ 1,5 bi no Paraná

A LG inaugurou em Fazenda Rio Grande (PR) sua fábrica de geladeiras de R$ 1,5 bilhão, com capacidade para 600 mil unidades por ano. A partir de 2027, a planta também vai produzir lavadoras e secadoras, entrando de vez na briga com Brastemp e Electrolux.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

R$ 1,5 bilhão é o número que importa

A LG inaugurou nesta quinta-feira (13) sua nova fábrica em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, com investimento de R$ 1,5 bilhão. É a segunda unidade industrial da sul-coreana no Brasil e a primeira a fabricar geladeiras localmente — até aqui, a empresa dependia de importação para esse segmento.

O complexo ocupa 770 mil m² de terreno, com capacidade para mais de 230 geladeiras por hora — uma a cada 14 segundos. Rodando em um turno, a planta já nasce com potencial para produzir até 600 mil unidades por ano e gera 500 empregos diretos e indiretos.

Por que o investimento é maior do que parece

O valor não é trivial para o setor: o mercado brasileiro de geladeiras movimenta bilhões de reais por ano, mas em 2025 as vendas de linha branca caíram, puxadas mais pela troca de aparelhos usados do que por consumo novo. É nesse cenário de demanda apertada que a LG decide nacionalizar produção, numa aposta explícita para reduzir custos e brigar por faixas de preço que antes eram inviáveis via importação.

Hoje a LG tem uma fatia pequena do mercado de linha branca no Brasil. A meta declarada é alcançar dois dígitos até 2027 e mirar algo perto de 20% no médio prazo — um salto e tanto para quem parte de uma base pequena.

Quem ganha e quem perde

A partir de 2027, a fábrica também vai produzir lavadoras e secadoras, avançando para o território que hoje é dominado por Brastemp e Consul (Whirlpool) e Electrolux, que juntas somam a maior parte do mercado de linha branca no país. É aí que a disputa fica interessante: a LG chega capitalizada e com fabricação local, mirando diretamente a fatia que sustenta esse domínio há décadas.

Quem sai ganhando no curto prazo é o consumidor, com mais oferta e pressão de preço num mercado historicamente concentrado. Quem sente o baque são Whirlpool e Electrolux, que já vinham lidando com o avanço de chinesas como Midea e Hisense e agora somam mais um concorrente robusto brigando pelo mesmo consumidor. Para a LG, o risco é a execução: converter capacidade instalada em participação de mercado real, num setor onde a lealdade à marca ainda pesa.

lglinha brancageladeirasbrastempelectrolux
Compartilhar