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MercadoCiência15 de out. de 2026, 10:22

Licube quer vender lítio puro para abastecer usinas de fusão nuclear

Startup japonesa-americana aposta que a energia de fusão vai precisar de lítio-6 purificado para produzir seu próprio combustível, e projeta um mercado de US$ 50 bilhões até 2040.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: US$ 50 bilhões até 2040

“Se a fusão entrar em operação, deve ser um mercado de US$ 50 bilhões até 2040”, disse Yohei Kiguchi, cofundador e CEO da Licube, startup que licenciou tecnologia da Universidade de Hirosaki, no Japão, para purificar lítio-6 — o isótopo que usinas de fusão nuclear vão precisar para produzir seu próprio combustível. A empresa é uma das 20 finalistas do Startup Battlefield, a competição de startups do TechCrunch Disrupt 2026, que acontece esta semana em São Francisco.

O problema técnico que abre a oportunidade

Foto: reprodução/techcrunch.com

Usinas de fusão em desenvolvimento no mundo funcionam com deutério e trítio. O trítio é raríssimo na natureza, então as plantas vão precisar produzi-lo internamente, usando nêutrons para converter lítio-6 em hélio e trítio — processo chamado de “breeding”. O problema é que o lítio-6 corresponde a só cerca de 7,5% do lítio natural e é tecnicamente difícil de separar do lítio-7, isótopo dominante. É exatamente essa separação que a Licube promete fazer, com um processo de eletrólise por membrana cerâmica que mira pureza de 99,995%.

A origem da empresa

Kiguchi não é estranho a apostas de infraestrutura energética: fundou em 2015 a ENECHANGE, maior rede de recarga de veículos elétricos do Japão, que chegou a abrir capital em bolsa antes de ele deixar o comando ainda nos seus 30 e poucos anos. A ideia da Licube nasceu depois de uma visita ao ITER, o reator experimental de fusão em construção no sul da França — época em que Kiguchi morava em Mônaco, a poucas horas de carro do projeto. Hoje a empresa mantém operação dividida entre Houston, nos Estados Unidos, e Hirosaki, no Japão, e opera parcialmente em modo discreto, sem divulgar publicamente o quadro de executivos.

Quem ganha — e quando

A aposta da Licube é de longo prazo: a fusão nuclear comercial ainda não existe em escala, e o mercado bilionário projetado por Kiguchi depende de um setor inteiro — plantas de fusão — ainda em fase de prova de conceito. Por isso, a estratégia de curto prazo é vender o lítio-6 purificado para outras indústrias que já têm demanda real hoje: semicondutores, farmacêutica, reatores de fissão nuclear e até componentes espaciais. É um caso clássico de startup posicionada na ponta mais arriscada — e potencialmente mais lucrativa — de um mercado que ainda não decolou, mas que tem bilhões em jogo se decolar.

O que falta saber

A empresa não divulgou valores de captação nem nomeou clientes ou parceiros contratados — só afirma, de forma genérica, que “tecnologia, parceiros e financiamento já estão em funcionamento”. Resta acompanhar se o pitch no Startup Battlefield traz números mais concretos.

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