
Light Phone, o celular minimalista, agora chama Uber e Lyft direto
Mais de dez anos depois de nascer prometendo o mínimo de tela possível, o Light Phone ganha uma ferramenta nativa para pedir corridas de Uber e Lyft, via parceria com a Tremp. A função cobra taxa própria e ainda não tem data para chegar ao Brasil.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O paradoxo do celular "anti-app" ganhando mais uma função
O Light Phone nasceu de uma campanha de Kickstarter que prometia "um celular feito para ser usado o mínimo possível". Mais de uma década depois, a Light — startup americana por trás da linha de celulares minimalistas sem redes sociais nem feeds infinitos — está fazendo algo que parece contraditório com essa filosofia: adicionando uma integração direta com Uber e Lyft, batizada de Rideshare.
A ferramenta chega para quem tem o Light Phone III (o modelo atual da marca) e também vai equipar o Light Flip, aparelho ainda por vir. Na prática, dá pra buscar endereço de origem e destino, ver tarifa estimada e tempo de chegada, escolher entre modalidades de corrida ou locais salvos, chamar o carro, acompanhar informações do motorista e até ligar para ele se precisar — tudo sem instalar o app da Uber ou da Lyft.
Como funciona por trás da tela em preto e branco
A integração não foi construída do zero pela Light. Ela funciona em parceria com a Tremp, empresa que já operava um serviço de pedido de corrida via SMS para quem não usa smartphone convencional. É a Tremp quem processa o pedido e conecta com Uber ou Lyft nos bastidores; o usuário só precisa ativar o acesso pelo painel web do Light, do mesmo jeito que ativa outras ferramentas do sistema.
O serviço não é gratuito: a Tremp cobra uma taxa de 10% sobre o valor da corrida, com mínimo de US$ 2 — a Light isenta essa cobrança nas cinco primeiras corridas dentro de 30 dias após a criação da conta.
Prévia de um app store minimalista
O lançamento do Rideshare é também uma prévia da chamada "Tool Library", um SDK do sistema LightOS que vai permitir que desenvolvedores externos criem novas funções para os aparelhos da marca — sem abrir mão da proposta de reduzir notificações e distrações. Segundo a empresa, submissões de usuários para essa biblioteca de ferramentas devem abrir ainda este mês.
O cofundador da Light, Kaiwei Tang, já disse que não está tentando desenhar "celulares vintage", mas sim repensar a tecnologia moderna do zero, cortando o que chama de excesso. A lógica por trás do Rideshare é simples: dar acesso a uma função que o usuário realmente precisa — como pedir uma corrida — pode ser o que evita que ele volte para um smartphone cheio de algoritmo e alerta.
Vale o preço no Brasil?
O Light Phone III custa a partir de US$ 599 nos Estados Unidos (com preço de tabela em US$ 799) e não tem lançamento oficial previsto no Brasil — quem quiser um hoje depende de importação, com frete e impostos que encarecem bastante a conta. A nova função Rideshare, por ora, também está restrita ao mercado americano, atrelada à cobertura de Uber e Lyft que a Tremp consegue oferecer. Sem previsão de chegada por aqui, o Light Phone segue sendo, na prática, um objeto de desejo de nicho para quem já compra fora do país.