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Ciência23 de set. de 2026, 20:58

LISA: a missão da ESA que vai captar as vibrações do espaço-tempo

Aprovada pela Agência Espacial Europeia, a missão LISA usará três satélites e lasers para detectar ondas gravitacionais no espaço e testar previsões da Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Lançamento está previsto para 2035.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine três satélites separados por 2,5 milhões de quilômetros — quase sete vezes a distância entre a Terra e a Lua — trocando feixes de laser capazes de detectar variações menores que um bilionésimo de milímetro. É esse o nível de precisão que a missão LISA (Laser Interferometer Space Antenna), da ESA (Agência Espacial Europeia, responsável por programas como o telescópio Gaia e a sonda Euclid), promete alcançar para "ouvir" as ondas gravitacionais do Universo.

O que já está confirmado

A missão foi formalmente adotada pela ESA em 25 de janeiro de 2024, e a construção dos instrumentos começou em janeiro de 2025, segundo informações da própria agência. A arquitetura prevê três espaçonaves organizadas em formação triangular, orbitando o Sol a reboque da Terra, ligadas por feixes de laser que medem com precisão extrema qualquer alteração na distância entre elas — o método chamado de interferometria a laser.

Dentro de cada satélite ficam cubos de liga de ouro e platina, um pouco menores que um cubo mágico, que funcionam como massas de teste em queda livre, isoladas de qualquer interferência externa. É a variação mínima na posição desses cubos, captada pelo laser, que permite identificar a passagem de uma onda gravitacional — a ondulação no tecido do espaço-tempo prevista por Albert Einstein na Teoria da Relatividade Geral há mais de um século.

O lançamento está previsto para 2035, a bordo de um foguete Ariane 6, com participação da NASA (agência espacial americana) no projeto.

O que ainda é expectativa científica

Aqui entra a parte que depende dos dados que só existirão depois do lançamento: os cientistas esperam que a LISA detecte ondas gravitacionais geradas pela colisão de buracos negros supermassivos nos centros de galáxias distantes, além de sinais de sistemas binários compactos — pares de anãs brancas ou estrelas de nêutrons. Há também a hipótese, ainda não comprovada, de que o instrumento consiga captar ecos gravitacionais remanescentes do Big Bang. Nenhum desses eventos foi observado ainda; são os alvos que justificam o investimento e o desenho técnico da missão.

Por que isso importa

Detectores terrestres como o LIGO já confirmaram a existência de ondas gravitacionais em 2015, mas captam apenas frequências mais altas, geradas por eventos relativamente próximos e rápidos. A LISA, ao operar no espaço e com braços de milhões de quilômetros, mira frequências mais baixas — a faixa onde estariam os sinais de buracos negros gigantes, informação hoje inacessível a partir da Terra.

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