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Smart Cities23 de out. de 2026, 10:12

Liverpool avalia computação compartilhada de IA para serviços públicos

A região metropolitana de Liverpool estuda se um centro regional de computação acelerada pode reduzir duplicação de gastos e reter mais valor econômico da IA. A parceria envolve a fabricante de chips NVIDIA e a empresa de software K2K.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Seis prefeituras, um só cérebro de IA?

Quando penso em quanto cada prefeitura brasileira gasta sozinha tentando montar sua própria estrutura de IA, a pauta de Liverpool me deixa curiosa. A Liverpool City Region Combined Authority — o órgão que reúne seis autoridades locais da região metropolitana de Liverpool, no Reino Unido — está avaliando se faz sentido construir uma infraestrutura de computação compartilhada para que prefeituras, universidades e empresas usem IA com mais segurança e menos gasto duplicado.

Quem toca o projeto é Tiffany St James, a primeira Chief AI Officer (uma espécie de secretária de IA) da região. Segundo ela, a parceria com a NVIDIA, fabricante americana de chips usados em supercomputação e IA, vai ajudar a entender "como a computação acelerada e aplicações de IA poderiam apoiar um centro regional seguro de computação de IA". Também está envolvida a K2K, empresa de software que participa da fase de avaliação.

Para que serviria, na prática

A lista de usos possíveis é longa: gestão de tráfego, reciclagem, eficiência energética em prédios públicos, conformidade climática, chatbots de atendimento ao cidadão, tradução de documentos e até apoio em processos de contratação e financiamento público. Ou seja, não é um projeto de vitrine — é infraestrutura de retaguarda que, se funcionar, muda como o cidadão é atendido no dia a dia.

E quanto isso vai custar?

Aqui está o ponto que mais me interessa como repórter de cidade: até agora, nenhuma fonte divulgou valor estimado de investimento. O que existe é uma fase inicial de avaliação, prevista para começar no fim de outubro, que vai reunir as seis autoridades locais, universidades, parceiros de serviços públicos e empresas para examinar demanda, segurança de dados, necessidade de capacitação de equipes, consumo de energia e opções de financiamento viáveis. Ou seja: primeiro se estuda se cabe no orçamento e quem paga a conta — só depois vem a decisão de construir algo.

O comparativo que fica no ar

No Brasil, discussões sobre data centers públicos e parcerias com big techs para IA têm aparecido em capitais como São Paulo e Brasília, geralmente sem clareza sobre fiscalização e retorno para o cidadão. O modelo britânico, pelo menos no papel, promete um desenho mais coletivo: um array de prefeituras dividindo custo e, supostamente, decisão. Mas a pergunta que não quer calar — quem vai auditar o uso dos dados públicos nesse centro compartilhado e quem fiscaliza o contrato com fornecedores privados — ainda não tem resposta pública. Vale acompanhar se a fase de avaliação vai responder isso antes de qualquer contrato ser assinado.

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