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Ciência09 de ago. de 2026, 18:46

Lixo espacial cai da órbita cerca de uma vez por semana, aponta levantamento

Mais de 300 foguetes foram lançados no último ano, quase quatro vezes mais que uma década atrás — e o volume de destroços que reentra na atmosfera cresce junto.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um objeto de uma tonelada cai do céu por semana

Praticamente uma vez por semana, um objeto de uma tonelada ou mais reentra na atmosfera terrestre vindo do espaço, segundo reportagem baseada em dados da Força Espacial dos Estados Unidos. A maior parte se desintegra no caminho ou cai no oceano — que cobre 70% da superfície do planeta —, mas uma fração vem batendo cada vez mais perto de áreas habitadas.

O que está confirmado: mais lançamentos, mais lixo

Foto: reprodução/nexojornal.com.br

O último ano teve mais de 300 lançamentos de foguetes ao espaço, quase quatro vezes o volume registrado uma década atrás. Cada lançamento deixa estágios de foguete, carenagens e, eventualmente, satélites desativados em órbita — objetos que, mais cedo ou mais tarde, caem de volta. A Força Espacial dos EUA emitiu quase 820 alertas de reentrada no último ano monitorado, contra 110 uma década antes, um salto que acompanha o ritmo dos lançamentos.

Os acidentes que já aconteceram

Não é só estatística abstrata. Em 2024, um pedaço descartado da Estação Espacial Internacional atravessou o teto de uma casa na Flórida. Fragmentos atribuídos a um foguete da SpaceX foram encontrados perto de um shopping e de um aeroporto na Polônia. Um anel metálico caiu em uma vila no Quênia, e destroços apareceram numa estrada no deserto australiano. Nenhum desses casos causou mortes, mas expôs a falta de previsibilidade: um erro de apenas um minuto no cálculo de reentrada pode deslocar a área de impacto estimada em até 480 km.

O que ainda é hipótese

Não existe hoje um sistema público e confiável que avise a população em tempo real sobre onde destroços vão cair — as janelas de previsão só ficam precisas horas antes da reentrada, quando já é tarde para qualquer ação prática. Tratados da ONU sobre responsabilidade por danos espaciais existem desde a década de 1970, mas juristas ainda debatem como aplicá-los a um cenário de milhares de satélites privados descendo de órbita ao mesmo tempo — regulação que ainda não foi testada nessa escala.

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