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Mercado22 de ago. de 2026, 07:11

Logitech aumentou preços em até 25% e agora é processada por tarifas

Escritório Cotchett, Pitre & McCarthy move ação coletiva acusando a Logitech de manter aumentos de preço justificados por tarifas que a Suprema Corte dos EUA já declarou ilegais. A empresa teria elevado preços em até 25% (14% em média) em cerca de metade da linha vendida nos EUA.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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25% a mais no preço — e sem devolução à vista

Até 25% de aumento em itens individuais, com média de 14% no portfólio afetado: esse é o número que abre a nova dor de cabeça jurídica da Logitech. Uma ação coletiva movida pelo escritório Cotchett, Pitre & McCarthy (CPM) no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia acusa a fabricante suíço-americana de manter os reajustes aplicados em abril de 2025 mesmo depois que a Suprema Corte dos EUA considerou ilegal a base legal usada pelo governo Trump para impor as tarifas.

O que está em jogo

A Logitech havia repassado a cerca de metade de seus produtos vendidos nos EUA — mouses, teclados, webcams — reajustes atribuídos ao custo das tarifas de importação criadas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte decidiu que o presidente não tinha autoridade para impor essas tarifas com base nessa lei, abrindo caminho para o governo devolver os valores recolhidos às empresas importadoras — segundo a ação, algo próximo de US$ 166 bilhões no total arrecadado via IEEPA.

O problema, segundo o processo, é o elo seguinte da cadeia: a Logitech recebeu (ou está prestes a receber) o reembolso do governo, mas não sinalizou qualquer plano de devolver aos consumidores o que cobrou a mais. Um trecho da petição resume o argumento: milhões de clientes compraram produtos do dia a dia e pagaram "um imposto invisível que a Suprema Corte já determinou que jamais deveria ter sido cobrado", enquanto a empresa "ficou com cada centavo".

Quem ganha, quem perde

A ação, movida em agosto de 2026, ainda está em fase inicial e não há decisão sobre reembolso. Mas o caso Logitech não é isolado: processos semelhantes já miram Nintendo e Sony pelo mesmo tipo de conduta, o que sugere um padrão do setor de eletrônicos de consumo — repassar o custo tarifário rapidamente ao preço final, mas não revertê-lo com a mesma velocidade quando a cobrança é derrubada na Justiça.

Para o consumidor que comprou um mouse ou um teclado da marca em 2025 pagando o preço inflado, a expectativa agora é de reembolso via ação coletiva — processo que costuma levar meses ou anos até virar cheque. Já para a Logitech, o risco imediato é reputacional: a empresa havia justificado os aumentos "trimestre após trimestre" como resposta às tarifas, o que a ação usa como prova de que a companhia sabia exatamente quanto estava cobrando a mais — e por quê. A empresa não se pronunciou publicamente sobre o processo até o momento.

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