
Londres cria licença única para bikes elétricas compartilhadas
Prefeito Sadiq Khan propõe substituir 33 regras municipais por uma licença só, gerida pela TfL, para acabar com o 'faroeste' das e-bikes.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Fim do faroeste das bikes sem estação
Quem já tropeçou numa bike elétrica largada na calçada de Londres sabe do que o prefeito Sadiq Khan está falando quando chama o sistema atual de "faroeste". A cidade hoje opera sob 33 conjuntos de regras diferentes — um pra cada distrito (borough) — pra bikes elétricas compartilhadas sem estação fixa. Khan quer acabar com isso e apresentou, em 29 de setembro, um plano pra criar uma licença única, válida pra cidade inteira.
A ideia é simples de explicar e difícil de executar: tirar a fiscalização picada dos 33 distritos e concentrar tudo na TfL (Transport for London), a autoridade que já cuida do metrô e dos ônibus da capital britânica. Com uma licença só, valeriam as mesmas regras de estacionamento, gestão de frota, segurança do ciclista, fiscalização e compartilhamento de dados em qualquer bairro — hoje, uma operadora pode seguir uma regra em um distrito e outra bem diferente a cinco minutos dali.
Comparando com outras capitais: cidades como Paris e Nova York já concentram esse tipo de licenciamento numa autoridade central há anos, evitando o mosaico regulatório que Londres tenta corrigir agora. É o tipo de pergunta que qualquer cidade que já teve bike ou patinete elétrico jogado em cima de rampa de acessibilidade deveria fazer: por que demorou tanto?
As operadoras, ao menos publicamente, estão do lado de Khan. A Lime, uma das maiores operadoras de bicicletas e patinetes elétricos compartilhados do mundo, presente também em cidades brasileiras, declarou apoio à "regulamentação em toda a cidade". A Voi já tinha pedido, antes do anúncio, que a TfL assumisse o papel de reguladora única. A CoMoUK, entidade que representa o setor de mobilidade compartilhada, chamou a proposta de abordagem "mais coerente".
Falta o principal, porém: o plano depende de o governo central aprovar legislação secundária dando à TfL o poder legal de licenciar. Sem isso, a licença única continua sendo só uma visão do prefeito — e quem paga o preço da demora, de novo, é o pedestre que segue tropeçando em bike largada na calçada.