
Londres instala reconhecimento facial fixo no West End após piloto com 173 prisões
Metropolitan Police vai levar câmeras estáticas de reconhecimento facial ao vivo ao West End e Soho até o fim de 2026, com expansão para toda Londres prevista em 2027 — sob protesto de entidades civis.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
A Metropolitan Police, de Londres, vai instalar câmeras fixas de reconhecimento facial ao vivo (LFR, na sigla em inglês) no West End e no Soho até o fim de 2026, com planos de expandir o modelo para outras áreas da capital britânica em 2027. É a primeira vez que a tecnologia deixa as vans móveis usadas até aqui e passa a operar de forma permanente, montada na infraestrutura de rua existente e monitorada remotamente.
O piloto que abriu caminho
A decisão se apoia nos resultados do piloto realizado em Croydon, no sul de Londres, entre outubro de 2025 e março de 2026. Segundo a polícia, foram 173 prisões em 24 operações, com mais de 470 mil pessoas escaneadas pelas câmeras e apenas um alerta falso reportado no período. Desde o início de 2024, a Met atribui mais de 2 mil prisões ao uso de reconhecimento facial ao vivo.
Grupos empresariais, incluindo a New West End Company, apoiaram publicamente a expansão e estudam formas de financiá-la. O conselho municipal de Westminster trabalha com a polícia na definição dos pontos de instalação no Soho e no West End.
Vitória judicial e pressão por regulação
Em abril de 2026, a Met venceu uma revisão judicial sobre o tema: o tribunal concluiu que sua política de reconhecimento facial é compatível com a legislação de direitos humanos e contém salvaguardas "claras e efetivas".
A controvérsia, porém, está longe de encerrada. Entidades da sociedade civil como Big Brother Watch, Liberty, Justice e Open Rights Group pressionam o governo britânico por uma regulação específica da tecnologia, movimento que ganhou força após o anúncio de novas leis no King's Speech de maio de 2026. Críticos apontam riscos de viés algorítmico e de normalização da vigilância em massa em espaços públicos.
Efeito dominó no Reino Unido
O caso londrino já influencia outras forças policiais. A Thames Valley Police realizou em julho sua quarta operação de reconhecimento facial do ano em Slough, e a polícia de Cambridgeshire levou a tecnologia a Peterborough. Na direção oposta, a Essex Police pausou seus planos de implantação citando riscos de viés nos algoritmos — sinal de que, mesmo entre as polícias britânicas, o consenso sobre a tecnologia ainda não existe.