
Lovable atinge US$ 600 milhões em receita anualizada com vibe coding
A startup sueca de "vibe coding" viu sua receita anualizada saltar de US$ 500 milhões para US$ 600 milhões em poucos meses, enquanto os apps criados na plataforma somam quase 1 bilhão de visitas mensais.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Receita anualizada salta para US$ 600 milhões
A Lovable, startup sueca de "vibe coding" que permite criar aplicativos completos a partir de comandos em linguagem natural, anunciou que sua receita anualizada ultrapassou os US$ 600 milhões em setembro de 2026. O número representa um salto rápido: em junho, a companhia já havia divulgado US$ 500 milhões, e no verão de 2025 a receita girava em torno de US$ 200 milhões. O cofundador Fabian Hedin fez o anúncio durante a cúpula HumanX, em Amsterdã.
Valuation dobra em meio à corrida por capital
O crescimento da receita acompanha uma escalada acelerada no valuation da empresa. Em dezembro de 2025, a Lovable havia captado US$ 300 milhões liderados por Menlo Ventures e CapitalG, avaliada em US$ 6,6 bilhões. Em agosto de 2026, uma nova rodada de US$ 400 milhões, com Menlo Ventures e Scaleup Europe Fund, praticamente dobrou essa marca para US$ 13,3 bilhões — um total de US$ 700 milhões captados em apenas oito meses. É um múltiplo de mais de 22 vezes a receita anualizada, patamar típico de startups de IA em fase de hipercrescimento, mas que também levanta a questão de até onde a demanda corporativa sustenta essa avaliação.
Quem ganha: adoção corporativa e apps que crescem sozinhos
Segundo Hedin, dois terços das empresas da lista Fortune 500 já usam a Lovable, incluindo nomes como Microsoft, Nvidia e Deutsche Telekom — esta última com mais de 2 mil aplicações internas construídas na plataforma. Boa parte dessa adoção partiu de funcionários testando a ferramenta por conta própria, não de vendas corporativas tradicionais. Outro dado chama atenção: os aplicativos criados por usuários da Lovable somam quase 1 bilhão de visitas mensais, uma ordem de grandeza maior que o tráfego da própria plataforma. Para Hedin, isso mostra que "o resultado é um produto, e cada vez mais, um negócio" — não apenas código gerado, mas aplicações com hospedagem, implantação e escala prontas para uso.
Quem pode perder terreno
O avanço da Lovable ocorre num mercado de vibe coding cada vez mais disputado, em que ferramentas de geração de código também correm atrás de espaço empresarial. A diferenciação que a empresa reivindica — entregar produtos prontos, com infraestrutura de nuvem, pagamentos e SEO embutidos, em vez de apenas trechos de código — é justamente o argumento usado para se distanciar de concorrentes focados em geração pura de código. Com mais de 1 milhão de projetos criados por semana na plataforma, segundo a empresa, a pressão agora recai sobre rivais do setor para mostrar tração comparável ou correm o risco de ficar para trás na corrida por clientes corporativos.