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Ciência21 de out. de 2026, 09:33

Lua está encolhendo: sonda da NASA acha mais de 10 mil falhas na superfície

Imagens da câmera LROC, da NASA, revelaram mais de 10 mil falhas geológicas na superfície lunar, indício de que o raio da Lua encolheu cerca de 45 metros nos últimos centenas de milhões de anos. Estudo foi liderado por cientista do Smithsonian.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine um prédio de 15 andares. É mais ou menos essa a distância que o raio da Lua diminuiu desde que os dinossauros ainda caminhavam pela Terra: cerca de 45 metros a menos em um corpo que tem 1.737 km de raio. Pouco, na escala do satélite natural — mas suficiente para rachar a superfície em mais de 10 mil pontos.

O que foi confirmado

Um estudo publicado em 14 de outubro na revista The Planetary Science Journal, liderado por Thomas R. Watters, cientista emérito do Centro de Estudos da Terra e Planetários do National Air and Space Museum (Smithsonian), mapeou mais de 10.000 falhas geológicas jovens na superfície lunar usando imagens da Lunar Reconnaissance Orbiter Camera (LROC), da NASA — a mesma sonda que orbita a Lua desde 2009. Segundo o Canaltech, a descoberta inclui cerca de 8.900 escarpas lobadas (lobate scarps) e mais de 2.000 pequenas cristas em áreas de mare, as planícies escuras visíveis a olho nu na Lua.

Com base na densidade dessas falhas, os pesquisadores — que também incluem Maria Banks, Cole Nypaver e Mark Robinson — estimam que o raio lunar encolheu aproximadamente 45 metros nos últimos 400 a 800 milhões de anos. Se a taxa se manteve constante nesse período, isso equivale a uma contração de 6 a 11 centímetros por milhão de anos, segundo o Smithsonian. Para comparação, as placas tectônicas da Terra se movem cerca de 1,5 centímetro por ano — ou seja, a Lua se move numa escala de tempo completamente diferente.

A explicação científica

Como a Lua não tem placas tectônicas, sua crosta funciona como uma casca rígida única. Desde sua formação há 4,5 bilhões de anos, o interior do satélite continua perdendo calor e se contraindo, o que força a crosta a se romper e formar — ou reativar — falhas na superfície, os chamados "thrust faults". O estudo também notou que regiões com crosta mais espessa têm menos falhas, sugerindo que esse calor retido internamente deixa essas áreas mais estáveis.

O que ainda é hipótese

Os autores não afirmam que o processo vá se acelerar ou representar risco imediato a futuras missões — mas estudos anteriores já haviam associado essa atividade sísmica residual a deslizamentos de terra perto do polo sul lunar, área cotada para pousos de futuras missões Artemis. Por ora, a conclusão confirmada é apenas sobre a escala e distribuição das falhas; a relação direta com riscos operacionais específicos segue em investigação.

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