
Lucid produz só 2.954 carros no 3º trimestre, menor nível em 2 anos
Queda é proposital: nova gestão da Lucid Motors corta turno de fábrica e 1.500 funcionários para economizar US$ 1,4 bilhão em 2026, enquanto a rival Rivian bate recorde de produção.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
A Lucid Motors, fabricante americana de carros elétricos de luxo apoiada por um fundo soberano da Arábia Saudita, produziu 2.954 veículos no terceiro trimestre de 2026 — queda de 54% em relação ao mesmo período do ano passado e o nível mais baixo desde o primeiro trimestre de 2025, logo depois do início da produção do SUV Gravity. As entregas somaram 3.806 unidades, acima da produção, porque a empresa está reduzindo o estoque acumulado de carros parados.
Corte deliberado, não falta de demanda
A queda não é um acidente de produção: é estratégia do novo CEO, Silvio Napoli, que assumiu com a missão de "simplificar a empresa". O plano já cortou 1.500 funcionários, eliminou o segundo turno da fábrica da Lucid no Arizona e tem meta de economizar US$ 1,4 bilhão em 2026. Napoli foi direto ao reconhecer o problema de execução da gestão anterior: "não executamos de forma consistente" e "lançamos produtos antes de estarem prontos", disse, em referência ao histórico da montadora de prometer volumes que nunca emplacou — a meta original era produzir 90 mil carros só em 2024.
Quem ganha e quem perde
Enquanto a Lucid encolhe de propósito, a Rivian, rival americana de elétricos que também nasceu sem ligação com montadoras tradicionais, bateu recorde de produção no mesmo trimestre, perto de 20 mil veículos, puxada pelo SUV R2, modelo mais barato que a empresa lançou para ampliar o público. O contraste expõe o principal problema da Lucid: ela aposta em carros de luxo com preço alto, enquanto o mercado americano de elétricos está migrando para modelos mais acessíveis — nicho que a Rivian começou a ocupar primeiro.
O que vigiar a partir de agora
A pergunta que fica para o próximo trimestre é se o corte de capacidade realmente estabiliza o caixa da Lucid sem sacrificar o lançamento do Gravity, SUV elétrico que a empresa aposta como seu produto mais vendável até aqui. Também vale observar se o crédito fiscal para elétricos nos EUA, citado por rivais como fator de alta nas vendas recentes, ainda vai beneficiar a Lucid nos próximos resultados.