
Lula é reeleito: o que muda pra IA, dados e tecnologia no Brasil
Lula venceu o segundo turno com cerca de 51,7% dos votos e colocou IA soberana, regulação de big techs e terras raras no centro do discurso de vitória. As promessas ainda não têm cronograma ou texto de lei.
Por Elias Brandão · Analista de IA e ética
O resultado e o que está em jogo
Lula foi reeleito no segundo turno de 25 de outubro de 2026, com cerca de 51,7% dos votos válidos contra 48,3% de Flávio Bolsonaro, segundo o TSE — uma virada pouco comum entre os dois turnos. É o quarto mandato do petista, e desta vez tecnologia entra como tema central do discurso de vitória.
Uma IA "feita em casa"
Em bom português: soberania digital é a ideia de que um país não deveria depender de tecnologia estrangeira pra funções estratégicas. Lula tem defendido isso explicitamente — segundo o Mobiletime, ele chegou a dizer que quer "ensinar mais matemática, mais engenharia" para não depender de "inteligência artificial chinesa e americana" e criar "uma inteligência artificial brasileira". O plano inclui uma Política Nacional de Letramento Digital e um Conselho Nacional de Soberania Digital.
Big techs na mira
Do outro lado da moeda: esse discurso nacionalista também é dirigido a empresas como Google, Meta e Amazon, que dominam boa parte da infraestrutura de nuvem e IA usada no país. Segundo a Revista Fórum e o Plantão Brasil, Lula prometeu "regulação rigorosa" das plataformas digitais, afirmando que "crime no mundo digital precisa ser tratado como crime no mundo real", e criticou lucros bilionários sem contrapartida tributária. É um sinal de que a regulação de IA parada no Congresso deve ganhar novo fôlego.
Foto: reprodução/revistaforum.com.br
Terras raras e energia como moeda de troca
O governo também aposta em terras raras — minerais usados em chips, baterias e componentes eletrônicos — como carta na manga. Em setembro, ao sancionar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, Lula criticou a exportação bruta desses materiais aos EUA e defendeu processá-los dentro do país antes de vender. Some a isso o plano de usar a energia renovável abundante no Brasil pra atrair data centers de IA, mantendo dados estratégicos em território nacional.
O que ainda falta responder
Nenhuma dessas promessas tem cronograma, orçamento ou texto de projeto de lei divulgado até agora. E a conta de "regular big tech" sem afugentar investimento é das mais difíceis de fechar — vários países tentaram e poucos acertaram a dose. Como o novo mandato só começa em 2027, o que sai do papel — ou não — deve ficar mais claro nos primeiros 100 dias de governo.
Atualização (27/10, 00:53): Atualização (27/10): Em discurso após a confirmação da vitória no segundo turno, Lula detalhou três frentes que pretende priorizar para ciência e tecnologia no quarto mandato: defendeu a regulação das big techs, prometeu o desenvolvimento de "uma inteligência artificial nacional" e disse que vai trabalhar para atrair data centers para o país. O discurso não trouxe metas numéricas, cronograma ou orçamento específico para nenhuma das três frentes.